Academia de artes marciais, Sonho X Realidade

Academia de Artes Marciais, Sonho X Realidade.

Todo garoto que ama arte marcial em algum momento sonha em ter sua própria academia.

Foi assim comigo desde meus 15 anos e com tantos outros amigos que trilharam o mesmo caminho.

Onde estão eles? Como estão indo em seus negócios?

Infelizmente raríssimas exceções seguem no ramo e mais raras ainda são as pessoas que conseguiram transformar seu sonho de jovem em um negócio e com ele poder ter uma vida confortável além de tempo, tempo, o único bem irrecuperável, um luxo para muitos poucos hoje em dia.

É claro que essa não é uma realidade apenas do jiu jitsu ou das artes marciais, isso acontece com todos os ramos. Não é uma realidade também apenas do Brasil (não cabe aqui a desculpa de nossos problemas econômicos), negócios pequenos como Michael Gerber coloca em seu livro “The E-Myth” são abertos nos EUA ao impressionante número de 1 milhão por ano e tem uma estatística ainda mais chocante de 80% de fechamento no primeiro ano.

O motivo por que isso acontece fica muito claro em nossa realidade e esse é o motivo desse meu texto, tentar explicar essa armadilha e de alguma forma ajuda-lo a não cair nela.

Todo pequeno negócio começa com algum técnico, em nosso caso vamos considerar um professor de jiu jitsu.

Esse professor foi praticante, se apaixonou pela arte, perseverou e finalmente se graduou a tão sonhada faixa preta.

Muitas vezes ele não teve uma formação como professor, mas vamos desconsiderar isso por agora, vamos assumir que ele é um professor competente.

Ele adora dar aulas e cuida muito bem dos alunos, um dia sem muita explicação sente a vontade de ter sua própria academia, isso pode acontecer por diversos motivos, pela admiração ao estilo de vida que imagina a profissão trará, por achar que vai conseguir ganhar um bom dinheiro, por pressão familiar, por enxergar isso como o caminho natural entre outros.

O grande dia finalmente chega e ele começa seu pequeno negócio.

Atende os novos alunos dá todas as aulas, abre a academia cedo e fecha a noite.

Trabalha muitas horas por dia, da todas as aulas, porém não contava com outras funções que ele agora precisa se preocupar, tem que cuidar do financeiro, cuidar da manutenção, da limpeza, do marketing, da retenção de alunos, da equipe de professores e a lista não acaba… advogado para fazer contrato com alunos, pagar aluguel, agua, luz. O dia tem poucas horas para tanto trabalho.

Fica exausto e além do mais o dinheiro sempre é curto, mas ainda é o começo e ele segue se esforçando para atrair mais alunos mesmo que não faça um trabalho de marketing apropriado (não tem tempo de estudar nem dinheiro para contratar quem faça) as aulas já não trazem tanto prazer pela quantidade diária de problemas para resolver.

Isso se repete dia após dia, semana após semana, mês após mês. O processo vai ficando muito desgastante afinal jiu jitsu não era para ser em nada estressante e sim puro prazer de trabalhar com o que se ama.

O que acabo de descrever acima é a construção de um emprego ao invés de um negócio, porém com todos os riscos de ser um empreendedor.

O desfecho dessa estória na maioria das vezes não é boa, vamos ver alguns cenários possíveis.

No primeiro o professor fecha sua academia e volta a dar aulas em algum lugar onde não existam tantos problemas e ele possa fazer o que sabe e gosta e receber um salário garantido.

No segundo, ele insiste e leva o negócio a falência.

Por fim talvez o mais dramático, ele sobrevive e resiste, mas ao final dessa estrada nada foi de fato construído e a energia de outrora não existe mais, o professor esta cansado suas aulas talvez tecnicamente ultrapassadas e ele pode ver o fim se aproximando.

Infelizmente isso pode acontecer em uma fase onde não se terá mais muito tempo de se reinventar e o futuro desse professor provavelmente não será no jiu jitsu.

Essa é a história de muitos professores que passaram pelo jiu jitsu, que estão nele agora e provavelmente seguirá acontecendo se não entendermos onde esta o erro.

Eu pessoalmente passei por isso, montei minha academia em São Paulo e por falta de experiência ( tinha 25 anos e já era faixa preta há 6) e principalmente de conhecimento quebrei. Tive que mudar para dentro de uma academia onde pude continuar desenvolvendo meu trabalho e com mais tempo para estudar e aprender como fazer da forma certa.

Eu tive sorte, quebrei cedo com 27. No mesmo ano que me tornava bi campeão mundial fechava minha academia com mais de 200 alunos pois não conseguia pagar as contas.

Tive sorte porque tive tempo, e mérito porque estudei e me preparei para aproveitar a próxima oportunidade que só apareceu 8 anos depois.

Academia de arte marcial requer planejamento, entendimento dos números, investimento, controle financeiro, gestão de pessoas e principalmente um sistema que englobe tudo isso.

Esse é o remédio para esse mal que há tanto tempo tira nossos mestres do nosso meio e os deixa saudosamente apenas na história.

Eu sou a prova que é possível ter um bom negócio de jiu jitsu e que é possível consertar o processo em voo.

Acredito muito que as academias de arte marcial vão se transformar do mesmo jeito que as academias de ginástica fizeram na década de 80, para isso precisamos apenas educar nossos professores para descobrir se eles tem a veia empreendedora na calibragem certa ou se preferem seguir como técnicos, as duas funções são importantes e vitais para o negócio e serão valorizadas em um mercado que tem um espaço enorme de crescimento mas elas são diferentes e isso precisa ser entendido.

Se você leu até aqui e se interessou em saber em mais detalhes como se previnir desse mal clique no botão abaixo.

TATAME & NEGÓCIOS

Um forte abraço

 

Fabio Gurgel

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