Back to Basics: The importance of Self-Defense for Jiu Jitsu

The technique that we practice and study today was evolved throughout history, starting in India, by Buddhist monks. For religious reasons and the obvious concern with non-violence, the monks developed a system of techniques based on balance, joint locks and leverage, avoiding the use of brute force. With the expansion of Buddhism, Jiu Jitsu migrated through Southeast Asia, China and finally arriving in Japan, where it was perfected and popularized. From the 19th century, some masters migrated to other continents in order to teach their art and to challenge practitioners that represented other martial arts.

Esai Maeda Koma (also known as Conde Koma), a celebrated Japanese instructor, arrived in Brazil in 1915 and settled in Belém

It was there that he met Gastão Gracie, who became a Jiu Jitsu enthusiast. Gastão took his eldest son, Carlos, to learn the techniques from Maeda. In 1925, Carlos founded the first Gracie academy, where he continued to perfect the art and spread his knowledge to his brothers. What brought notoriety to the family was the technical innovation and extreme efficiency in the use of levers which allowed practitioners to beat much stronger and heavier opponents. This evolution allowed them to continue improving and disseminating Jiu Jitsu, producing generations of great fighters.

Jiu Jitsu has now spread across the world, reaching numbers that were previously unimaginable. It continues to be refined and explored by thousands of practitioners.

 

BACK TO BASICS

 

There is a reason I wanted to give you this brief history of our sport, a reason that is extremely important at the moment: the importance of self-defense for Jiu Jitsu.

Jiu Jitsu is, by definition, a martial art. That is, its main objective is to allow self-defense in a risky situation, without rules.

The term today includes several branches, and there are various modalities of martial arts. Most are practiced for ‘sport,’ with the goal of improving physical and mental health. However, it is important that we stay connected to our roots in order for growth to be sustainable.

With the expansion of Jiu Jitsu as sport, and a strong focus on competition, technical improvement continues at an accelerated rate and the sport grows exponentially.

But think about what would happen if more and more black belts graduate and start working at the elite level without having some basic self-defense training in their foundation. Self-defense training forms the foundation for all practitioners, including in competitions.

“The Jiu Jitsu I created was designed to give the weak ones a chance to face the heavy and strong.”

“And it was so successful, that people decided to create competitive Jiu-Jitsu.”-  HÉLIO GRACIE

 

THIS ISN’T AN OLD SCHOOL CHAT.

 

Because of the huge number of technical variations that are developed and refined each day, the need to teach the self-defense system is often questioned and its importance diminished. However, this is not an ‘old school vs. new school’ feud. The importance of self-defense for Jiu Jitsu goes far beyond just the technical.

Obviously, a high-performance athlete with good technical proficiency will be able to defend themselves in an aggressive situation. However, our view on this issue needs to be more expansive. When we think about the trajectory of a student from the beginning, the methodology of self-defense is extremely important. It’s how the practitioner can be introduced to the complexity of Jiu Jitsu with a path that’s clear and structured.

Conveying to a beginner how he can defend himself from a simple attack like a slap, is a way to peak that student’s interest. It’s a manoeuvre that is simpler and more relevant compared to a sweep, for example. In this way, we start to remove the student from the instinctual process and bring him towards a technical process based on reasoning. Teaching basic concepts of self-defense in a more structured way, is how to ensure that the student’s immersion in the world of Jiu Jitsu can happen in a more organic, safe and efficient way. Jiu Jitsu then becomes more inclusive. The practitioner who isn’t in shape yet, or still feels insecure about practicing a martial art, may be introduced to the sport through a process that will be easy to understand and execute.

 

BALANCE IS KEY.

 

As everyone knows, I am one of the main supporters of the evolution and growth of Jiu Jitsu. Without a doubt, competition is one way of showcasing this. The diversity of competitions, technical level and impressive fitness of athletes starts right from the lower belts, and this has been driving the sport in astronomical proportions. But it is important to understand what is beyond this. More than being a  tradition, the concepts that allowed the development of Jiu Jitsu as a martial art and the focus on technical efficiency, are the elements that make it unique and possible to be learned, practiced and enjoyed by anyone.

 

JIU JITSU FOR EVERYONE.

 

Rather than being a statement about the importance of self-defense for Jiu Jitsu, this text is a reflection.

We should move forward, but always remembering our history. In this way, we will be able to continue on the path of expanding Jiu Jitsu so it can be a tool for self-improvement, self-knowledge and self-defense — for everyone.

A hug

Fabio Gurgel

De Volta ao Básico: A importância da defesa pessoal para o Jiu Jitsu.

De Volta ao Básico: A importância da defesa pessoal para o Jiu Jitsu.

De Volta ao Básico: A importância da defesa pessoal para o Jiu Jitsu.

 

O surgimento das técnicas que acabaram por formar o que praticamos e estudamos em nosso dia-a-dia nos tatames, se deu na Índia e foi realizado por monges budistas.

Preocupados com a auto defesa e por não poderem utilizar armas pelos princípios de sua religião, os monges desenvolveram um sistema de técnicas baseado no equilíbrio, nas articulações do corpo e em alavancas, evitando o uso de força.

Com a expansão do budismo, o Jiu Jitsu percorreu o sudeste asiático, a China e então chegou ao Japão, onde foi aperfeiçoado e popularizado.

A partir do século XIX, alguns mestres migraram para outros continentes com o objetivo de ensinar sua arte e desafiar praticantes de outras artes marciais.

Esai Maeda Koma (também conhecido por Conde Koma), um célebre instrutor japonês, chegou ao Brasil em 1915 e fixou-se em Belém.

Foi então que conheceu Gastão Gracie, que se tornou um entusiasta do Jiu Jitsu e levou seu filho mais velho, Carlos, para aprender as técnicas do professor japonês.

Em 1925, Carlos fundaria a primeira academia Gracie, onde seguiria aperfeiçoando a arte e transmitindo seu conhecimento a seus irmãos.

As inovações técnicas e extrema eficiência no uso de alavancas para vencer oponentes em sua grande maioria mais fortes e pesados, trouxeram notoriedade para a família, que seguiria em sua jornada de aprimoramento e disseminação do Jiu Jitsu e produziria gerações de grandes lutadores.

O Jiu Jitsu se espalhou pelo mundo, atingindo proporções antes não imaginadas, sendo lapidado e explorado por milhares de praticantes.

 

VOLTANDO AO BÁSICO.

O motivo pelo qual eu trouxe de forma breve a história da nossa arte à tona, é levantar um tema que acredito ser de extrema relevância para nosso esporte no momento: a importância da defesa pessoal para o Jiu Jitsu.

O Jiu Jitsu é por definição, uma arte marcial. Ou seja, tem como principal objetivo, possibilitar a defesa pessoal em uma situação de risco, sem regras.

O termo hoje contempla várias vertentes, e as artes marciais são utilizadas em diversos âmbitos, notoriamente o esportivo, visando aprimoramento físico e mental.

No entanto, é importante estarmos conectados com nossas raízes para que o crescimento seja sustentável.

Com a expansão do Jiu Jitsu como esporte e o grande enfoque dado ao cenário competitivo, o desenvolvimento e aprimoramento técnico seguem em ritmo acelerado e o esporte cresce exponencialmente.

Porém, nota-se que cada vez mais faixas-preta são formados e atuam nos níveis de elite do esporte, sem terem em seu currículo a formação de defesa pessoal que é a base de toda a construção do que praticamos, inclusive nas competições.

 

“O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos maisfracos enfrentarem os mais pesados e fortes.

E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição.” – HÉLIO GRACIE

 

NÃO É PAPO DE “OLD SCHOOL”.

Quando essa discussão é levantada, é muito comum que devido à variedade de técnicas avançadas que são desenvolvidas e aprimoradas a cada dia, a necessidade de se ensinar o sistema de defesa pessoal seja questionada.

Mas é importante ressaltar, que não se trata de uma rixa old school x new school. A importância da defesa pessoal para o Jiu Jitsu vai muito além de uma questão técnica.

Obviamente, um atleta de alto rendimento e com uma boa proficiência técnica, será capaz de se defender em uma situação de agressão.

Porém, nosso olhar sob essa questão precisa ser mais amplo.

Quando pensamos na trajetória de um aluno desde o início, a metodologia de defesa pessoal é de extrema importância para que esse praticante possa ser introduzido à complexidade do Jiu Jitsu de uma forma estruturada e clara.

Transmitir para um iniciante como ele pode se defender de uma agressão óbvia e simples como um tapa, é muito mais simples e esclarecedor do que tentar fazê-lo executar uma raspagem, por exemplo.

Dessa forma, começamos a tirar o aluno do processo instintivo e trazê-lo para o processo técnico e racional.

A partir do ensinamento dos conceitos básicos de defesa pessoal de forma estruturada, a imersão do aluno em todo o universo que engloba o Jiu Jitsu acontecerá de forma mais orgânica, segura e eficiente.

 

O Jiu Jitsu se torna então, mais inclusivo. Aquele praticante que não está em sua plena forma física ou ainda se sente inseguro em relação a praticar uma arte marcial, poderá ser introduzido através de um processo que será de fácil compreensão e execução.

 

EQUILÍBRIO É A CHAVE.

Como é de conhecimento de todos, sou um dos principais adeptos à evolução e crescimento do Jiu Jitsu.
E sem dúvida, a competição é a grande vitrine para que isso seja possível.

A diversidade de competições, nível técnico e preparo físico impressionantes dos atletas desde as faixas de base, vem impulsionando o esporte em proporções astronômicas.

Mas é essencial compreender que há uma imensidão além dessa vitrine.

Mais que uma tradição, os conceitos que permitiram o desenvolvimento do Jiu Jitsu como arte marcial e o foco em eficiência técnica, são os elementos que o tornam único e possível de ser aprendido, praticado e desfrutado por qualquer um.

 

JIU JITSU PARA TODOS.

Mais que uma declaração sobre a importância da defesa pessoal para o Jiu Jitsu, esse texto vem como uma reflexão.
De que devemos seguir em frente, mas valorizando nossa história.

Dessa forma, conseguiremos seguir no caminho de construção e ampliação de um Jiu Jitsu que seja uma ferramenta de aprimoramento, auto conhecimento e defesa para todos.

 

Um abraço

 

Fabio Gurgel

Does being a great champion guarantee your future in Jiu Jitsu?

Competitive Jiu Jitsu is going through a moment of enormous growth. The IBJJF alone holds more than 120 championships a year around the world — not to mention all the other events, with different formats, organized by other bodies.

In addition to this, the prize money increases all the time, making the option of becoming a professional Jiu Jitsu athlete even more viable and attractive.

It is very gratifying to see the athletes that work persistently towards their goal, be rewarded for their efforts — to be able to see them reap the fruits of those arduous battles. But there is an important factor to be considered in this story: Jiu Jitsu, despite expanding immeasurably, is not a mainstream sport.

This means that no matter how big the events are, the audience is not big enough to generate  revenue from sponsorship and pay-per-view to pay those athletes. In other words, even though an athlete is at their peak, it is still very difficult to obtain true financial independence from competition alone. That is why many opt for the path of becoming a teacher and then owning their own academy.

And this is where the trap lies.

There is this notorious belief that training hard and competing a lot will automatically make you a good teacher. And another common belief — that being a tough black belt will give you sufficient skills to be a good manager. After all, if you have an arsenal of techniques in competitive scenarios and a wall of medals behind you, who wouldn’t want to be your student, right? The follow-on logic is that with a lot of students, running an academy would be easy.

I want to tell you that the reality is very different from the picture painted.

There is no doubt that dedication to technical evolution, hard training and good performance in competitions will help you, but to effectively “live off Jiu Jitsu,” and to become an entrepreneur, you will have to do much more than that.

Learning from the past.

I am the result of the generation of competitors form the 90s — a decade marked by several changes to the sport in terms of competition. There was the creation of the UFC in 1993 and the origin of the World Jiu Jitsu Championship in 1996. In addition, it was when great names in our sport started to emerge and it was the time when most of the teachers who are working today were training.

Despite all the events mentioned so far, it was also the moment when the number of practitioners diminished substantially. Almost all academies were focused on competition. The training was strenuous, and there was no methodology or clear path to be followed by the student. Consequently, Jiu Jitsu became something exclusive only for high performance athletes. Considering, roughly 3% of students are competitors, you can see that a lot of people were left out.

My thinking changed a lot when I visited a Wing Chun professor in Germany who had 50,000 students (check out more about the story in the video below), and it was after that trip, I decided to implement one of the elements that was fundamental to the success of my academy and my trajectory as an entrepreneur: The teaching methodology.

Teaching Jiu Jitsu is different from training.

Think of the familiar class format — a warm-up, two technical positions and then rolling. It is undoubtedly one of the most popular models of training in most gyms.

This kind of training often occurs without any division of levels and of course, it’s a model that can work well for those who have the responsibility of overseeing sparring, but to really deliver value to your students (and ultimately retain them) you have to teach Jiu Jitsu.

When you teach Jiu Jitsu, you have to pass on technical knowledge, history and philosophy in an efficient and appropriate way catered to the needs of each student. To teach Jiu Jitsu, it’s essential to have a methodology that allows students with different profiles and skill levels to move through the journey in the best possible way. Within this journey, there must be clear and attainable goals so your students stay motivated and engaged.

The true Jiu Jitsu teacher must constantly study and expand their technical repertoire. In this way, they will have the necessary tools to disseminate knowledge that helps students to evolve in the best possible way.

The student must be treated as a client, not a disciple.

When I tell people that in the 1950s the first Gracie academy in Rio de Janeiro had 600 private students, many are impressed. Back then, the philosophy was to provide a service to society which was fundamental to the essence of Jiu Jitsu. The idea was to teach an art that was good for people’s lives.

Transition from a teacher to manager.

After following the path of a teacher, there are many professionals who want to own their own academy. This is the most natural progression after all. They believe they will be able to round off their professional careers with satisfaction, and allowing them more time and more financial freedom.

There is some truth to that because starting a successful business can be an extremely fulfilling journey, however, it requires another set of skills. Owning and managing an academy requires even more work and study. To put this simply, the teacher now has to become a manager. The teacher who aims to develop a successful business must now assume a leadership position.

Your technical knowledge has to be upgraded so it can be effective when acting within the three management pillars of a gym: technical structure (the way you will deliver Jiu Jitsu as a service to your students), financial structure (how you manage the money the business makes), marketing (how you reach potential students). In addition, there are several elements that must be implemented, constantly evaluated and improved by the manager, such as the service delivered, the sales process, facilities, standardization, payment plans, management software and many other things.

The change comes from you.

As we have seen, the teacher and manager who wants to have a solid business and deliver Jiu Jitsu as a quality service must constantly strive to develop personally and professionally.

Only in this way will they learn the skills required to pass on the technical knowledge and philosophy essential to our sport, and to manage a sustainable business. Owning a business today requires a variety of skills and the commitment to continuous learning. This transformation is part of the individual. It is up to the professional to assume a leadership position and look for information and knowledge in different areas.

Like Jiu Jitsu, entrepreneurship is not an easy fight.

Being a black belt in your martial art will not guarantee you a black belt in business.

A great world champion can carry a powerful brand with his name and image, but for this brand to be transformed into something that adds value to a business, there needs to be something else.The athlete must first of all learn to provide a professional high quality service, but in this way they will be able to reap the fruits and satisfaction of that journey. Looking to continuously evolve and deliver Jiu Jitsu in an effective and appropriate way for each client is the way forward.

Strong hug

Fabio Gurgel

Ser um grande campeão, garante seu futuro no Jiu Jitsu?

Ser um grande campeão, garante seu futuro no Jiu Jitsu?

O Jiu Jitsu competitivo encontra-se em um momento de grande ascensão. Apenas a IBJJF, realiza mais de 120 campeonatos por ano, ao redor de todo o mundo.

Sem contar os diferentes eventos, com diversos formatos, que são produzidos por vários idealizadores. Além disso, premiações em dinheiro cada vez mais abundantes, tornam o sonho de ser um atleta profissional de Jiu Jitsu, cada vez mais atrativo.

É muito gratificante poder ver atletas que colocam tanto empenho em busca de seu objetivo, colherem os frutos de suas árduas batalhas.

Mas há um fator muito importante a ser considerado em toda essa história: O Jiu Jitsu, apesar de estar em plena expansão, não é um esporte mainstream, ou, de massa.

Isso significa que por maiores que sejam os eventos, ainda não há audiência para movimentar uma receita em patrocínios e pay-per-view que seja expressiva o suficiente para ser repassada em forma de pagamento aos atletas.

Ou seja, por mais que um atleta esteja no auge de sua performance, ainda é muito difícil conseguir uma real independência financeira sendo apenas competidor de Jiu Jitsu.

É por isso que um caminho que acaba sendo percorrido pela maioria dos profissionais de Jiu Jitsu, é se tornar professor e muitas vezes, buscar ter sua própria academia.

E é aí que mora uma velha armadilha.

A famigerada crença de que treinar duro e competir com frequência, automaticamente te fará um bom professor. Ou a ainda mais delicada: a de que ser um faixa preta casca grossa, te fará um bom gestor.

Afinal, se você tiver um arsenal de técnicas testados e comprovados em cenários competitivos e um quadro de medalhas atrás para suportar, quem não irá querer ser seu aluno, certo? E com muitos alunos, gerir uma academia de Jiu Jitsu, não deve ser tão complicado assim….

Por isso eu vim aqui te contar que a realidade, é bem diferente desse quadro que foi pintado.

A dedicação ao desenvolvimento técnico, o treinamento árduo e o bom desempenho em competições, sempre serão bons aliados. Mas para efetivamente se “Viver de Jiu Jitsu”, e principalmente aos que desejarem se tornar empreendedores, será necessário mais que isso.

Aprendendo com o passado.

Sou fruto da geração de competidores da década de 90, uma década marcada por vários avanços em termos competitivos para nosso esporte, como a criação do UFC em 1993 e o início da disputa do Campeonato Mundial de Jiu Jitsu em 1996.

Além disso, foi o período de surgimento de grandes nomes do nosso esporte e da formação de grande parte dos professores que atuam hoje em dia.

Apesar de todos os acontecimentos citados, ainda sim foi um momento que viu o número de praticantes reduzir em números gerais.

As academias eram extremamente focadas em competição, o treinamento era extenuante, não havia metodologia ou percurso claro a ser percorrido pelo aluno, e o Jiu Jitsu se tornou então, algo que era praticado apenas por atletas de alta performance.

Considerando que, em média, apenas 3% dos alunos são atletas de competição… Dá para ver que ficou muita gente de fora.

Foi refletindo sobre esse período e inspirado por uma visita a um professor Wing Tsun que tinha 50.000 alunos na Alemanha (confira mais sobre a história no vídeo abaixo) , que decidi implementar um dos elementos que foram fundamentais no sucesso da minha academia e da minha trajetória como empreendedor : A metodologia de ensino.

 

Ensinar Jiu Jitsu, é diferente de puxar treino.

Aquecimento, duas posições e treino. Sem dúvida, esse é um dos modelos mais adotados de treino em horário “nobre” por grande parte das academias.

Muitas vezes, isso ocorre sem que seja feita nenhuma divisão de níveis ou estruturação metodológica. Esse modelo pode ser bem funcional para quem tem a responsabilidade de ser um puxador de treino.

Mas para realmente entregar valor e fidelizar seus alunos pela excelência do serviço oferecido, é necessário de fato, ensinar Jiu Jitsu.

ENSINAR Jiu Jitsu, é desempenhar o papel de transmitir o conhecimento técnico, a história e a filosofia de forma eficiente e adequada à necessidade e contexto de cada aluno.

Para ensinar Jiu Jitsu, é essencial que haja uma metodologia que possibilite alunos com diferentes perfis e níveis de habilidade, transitar pela jornada da melhor maneira possível.

Dentro dessa jornada a ser percorrida, devem-se ter objetivos claros e atingíveis, mantendo os alunos motivados e engajados.

O verdadeiro professor de Jiu Jitsu, deve estudar e expandir seu repertório técnico constantemente. Dessa forma, terá as ferramentas necessárias para disseminar conhecimento de forma a melhor atender seus alunos.

O aluno precisa e deve ser tratado como cliente, não discípulo.

Quando conto que a primeira academia Gracie em 1950 no Centro do Rio de Janeiro, tinha 600 alunos particulares, muitos ficam impressionados.

Mas ali era seguido o pretexto essencial e fundamental do Jiu Jitsu, prestar um serviço para a sociedade, ensinando uma arte que faça bem à vida das pessoas.

Transição de profissional técnico para gestor.

Após ter seguido o caminho quase natural de tornar-se professor, há muitos profissionais que desejam empreender e se tornarem donos de sua própria academia.

Acreditam que dessa forma conseguirão atingir a plenitude em suas carreiras profissionais, disponibilizando de mais tempo e recursos financeiros.

De fato, empreender um negócio de sucesso pode ser uma jornada extremamente realizadora.

Porém, requer uma outra gama de competências, que exigirão ainda mais trabalho e aperfeiçoamento por parte dos profissionais. Simplificando, o professor deverá nesse momento, tornar-se um gestor.

O professor que visa desenvolver um negócio de sucesso, deverá agora assumir uma postura de líder.

Seu conhecimento técnico deverá ser complementado para que possa ser efetivo ao atuar dentro dos três pilares que compõe a gestão de uma academia : estrutura técnica (a forma como entregará o Jiu Jitsu como serviço a seus alunos), estrutura financeira (como será feita a gestão do dinheiro que o negócio movimenta), marketing (como os potenciais alunos serão impactados e capturados).

Além disso, há diversos elementos que deverão ser implementados, constantemente avaliados e melhorados pelo gestor, como atendimento, processo de venda, estrutura física, uniformização, planos de pagamento, software de gestão, entre outros.

A mudança vem de você.

Como vimos, o professor e gestor moderno que deseja ter um negócio sólido e entregar o Jiu Jitsu como um serviço de qualidade e excelência a seus alunos, deve se empenhar constantemente em se desenvolver pessoal e profissionalmente. Apenas dessa forma, conseguirá atuar de forma produtiva e holística, transmitindo o conhecimento técnico e filosofia de forma eficiente e gerindo um negócio sustentável.

Essa transformação, parte do indivíduo. Cabe ao profissional, assumir uma postura de líder e buscar informação e conhecimento em diferentes áreas, mantendo-se em evolução constante.

Assim como Jiu Jitsu, empreender não é uma luta fácil.

Ser faixa preta em sua arte marcial, não te garantirá a faixa preta nos negócios.

O grande campeão pode carregar uma marca poderosa com seu nome e imagem. Mas para que essa marca seja transformada em um ativo que agrega valor a um negócio, uma chave necessita ser virada.

O atleta deve se tornar antes de tudo, um prestador de serviço.

É buscando se desenvolver continuamente e entregando o Jiu Jitsu de forma prazerosa e adequada às necessidades de cada cliente, que o profissional poderá colher os frutos e satisfação de sua jornada.

 

Forte abraço

 

Fabio Gurgel

Risk versus Consequence


A while ago, I heard someone ask the following question, “What is the difference between Risk and Consequence?”

I must confess I had difficulty in responding, even though I’ve been living and working with Jiu Jitsu my whole life, dealing with adrenaline, defeat, victory, joy, sadness, anxiety, anger, confidence (or lack of it) — but I have never stopped to think about that question.

I like to practice stoicism on a daily basis which teaches us how to focus on things in our control, rather on those we can’t. Obviously, there are times when this is difficult, but considering everything in life is ‘training,” I practice hard and I can feel my evolution.

When we apply this concept to challenges, it becomes even more important.

Let’suse the analogy of the Jiu Jitsu fight — what is the best way for you to win a fight? Probably imposing your game, encouraging your opponent to make a mistake, and capitalizing on that error. At which point you have the upper hand and can use your favourite submission. Am I correct? Bringing my opponent into my game implies that I have to take action, and this is in my control. The reaction of my opponent starts to become more predictable when he reacts to something I know. Again, it is up to me to connect the next technique, but in this way I am in control of the fight and its connections until the final submission.

Things that are under your control should generate action and this has consequences for new action under your control. Your focus should be concentrated on what you are currently able to do, as it will minimize the risks.

Are there risks?

Conceptually, risk is composed of probability and consequence. The more you train, the more you understand the dangers and you can manage them, minimizing the risk.

I watched a documentary by a professional climber, Alex Honnold, a free soloist who climbs routes alone, without equipment.

This film documents his ascent of Freerider, one of the routes up the vertical rock face of El Capitan in Yosemite National Park. Those that have managed the climb, have done so with equipment, often taking more than 30 hours to do so. Alex is a strategist — he defines a route, studies the route with fanatical detail, trains each section, studies every handhold, foothold and sequence. He exhaustively trains the techniques necessarily throughout each stage, memorizing the movements, and visualising the climb with all conceivable outcomes. He knows what is possible with each and every movement, including the bird that will predictably come out of a crevice on a crucial move.

Another aspect crucial for the climb, that Alex trained exhaustively is concentration.  He focused on the technique, learned to compartmentalize fear, learned to control his breathing and connect with the mountain and the mission of conquering it. Most people might see those things as the opponent, he saw it as a necessary obstacle to his goal.

Often asked about the risk of dying by journalists and fans in general, Alex explains very clearly how people misunderstand risk, going on to explain the ‘risk versus consequence’ relationship.

“People often confuse risk with consequence. The consequence of me slipping and falling off the mountain is probably my death, but the risk is associated with me getting my technique wrong.”

Because risk is comprised of risk x consequence, if he trains a lot, the probability of making a mistake is low, lowing the risk.

This explanation made me reflect and see this difference much more clearly.

Let’s look at the moment we’re living in, where people are basically dividing into two groups: those who don’t believe in risk, and those who are terrified of the consequence.

Let’s look at other facts to offer perspective. Roughly 1.35 Million people die every year from car accidents (WHO). Even with road safety guidance and modern car equipment that helps a lot to minimize the problem, the numbers are still frightening, But, would you stop driving your car, or get in the car with someone else driving? Probably not, because although you know there is a risk, you understand that that even if you’re involved in an accident, (without excessive speed) the probability of it being fatal or causing serious damage is low.

In Brazil there are more than 60,000 murders a year, a shameful and frightening number. Knowing that number, would you stop going to work or having fun? Probably not, because you understand that taking security measures can minimize risks and consequence if anything were to happen.

If we look more closely at our current moment amidst the global pandemic COVID 19, we will also see a frightening number of deaths, creating feelings of insecurity and fear. Looking at the statistics a little more, I understand that the risk is manageable, and as with violence or car accidents, if we take preventive and safety measures, we can live our lives “normally” and assume the small degree of risk that the virus poses to us.

What is within our control?

Our health, what we eat (which affects our immune system), what we choose to think, how we exercise. We have enormous freedom about what we choose to think. We can discipline  our mind with positive thoughts, focusing on what we can or can’t do. Considering anxiety is focusing on what we can’t control, this easy mental practice can help hugely with reducing worry and fear.

Being healthy is without a doubt the best defence against the virus and this is, in most cases, in your control.

People who carry a pre-existing disease or are more vulnerable should be looked after very carefully and perhaps remain in isolation for a longer time until we have a vaccine, or the virus is eventually eradicated, but this could take a long time. If, however you are not in this risk group, and are healthy, do not let yourself be overcome by the fear of consequence that may never happen — learn to assess the real risk for you.

And if it makes sense to you, LIVE.

After all, we never know what tomorrow will bring and we need to learn how to live in the present moment as it comes along.

Hug,

Fabio Gurgel.

 

Risco X Consequência

Risco X Consequência

Risco X Consequência

Há algum tempo atrás quando ouvi a pergunta, “Qual a diferença entre risco e
consequência?”

Confesso que tive dificuldade em responder, mesmo tendo vivido no
meio do esporte e lidando com adrenalina, derrotas, vitórias, alegrias, tristezas,
ansiedade, nervosismo, confiança ou falta dela, nunca tinha parado para pensar na
pergunta isoladamente.

Gosto de praticar o exercício estóico de estar focado nas coisas que posso controlar e
pouco me preocupar com as coisas que não posso, isso é um exercício diário e claro
nem sempre eu consigo, mas como tudo na vida é treino, sigo praticando com afinco
e posso sentir minha evolução.

Quando levamos esse conceito para nossos desafios, ele se torna ainda mais
importante.

Façamos uma analogia com uma luta de jiu jitsu, qual a melhor chance de
você vencer uma luta?

 

Provavelmente colocando seu adversário em seu jogo, tentando
induzi-lo ao erro e capitalizando em cima desse erro ,usando sua melhor técnica para
finaliza-lo, estou correto?

Hora, se preciso traze-lo para meu jogo, isso implica que eu
tenho que tomar a ação e isso esta em meu controle.

As reações de meu adversário começam a ser mais previsíveis quando ele reage a algo que eu conheço e novamente
depende de mim saber conectar minha próxima técnica e levar a luta e suas conexões
sob meu controle, ate o golpe final.

Coisas que estão sob seu controle precisam gerar ações e isso gera consequências para
novas ações em seu controle, seu foco deve ser apenas esse pois isso fará você
minimizar os riscos.

Eles existem? Conceitualmente, o risco é composto por probabilidade e
consequência.

Quanto mais você treina, mais você conhece os perigos e consegue se preparar
para lidar com eles, minimizando os riscos.

Assisti um documentário de um escalador, Alex Honnold, ele faz uma modalidade
chamado Free Solo que significa que escala montanhas sozinho e o mais
surpreendente, sem nenhum tipo de equipamento.

 

Nesse documentário, ele desafia a mais assustadora montanha de Yosemite nos EUA,
um paredão vertical.

Os poucos escaladores que já conseguiram completar otrajeto o fizeram com equipamento e demoraram 30 horas.

Alex define uma rota, estuda minuciosamente o trajeto, treina cada trecho, cada pegada, separa todas as
fases da subida, treina exaustivamente a técnica em cada estágio, memoriza todas
pegadas e todas as fendas do caminho, treina, treina e treina, até o ponto onde
masteriza cada movimento.

Um outro aspecto trabalhado com intensidade é a concentração, imprescindível para
um desafio como esse, focado na técnica ele exercita a limpeza dos pensamentos,
controla a respiração e se conecta com a montanha e com a missão de conquista-la.

O que a maioria vê como adversário, ele enxerga como apenas um obstáculo necessário
para seu objetivo.

Frequentemente questionado sobre o risco de morrer por jornalistas e fãs em geral,
Alex explica de forma muito clara, conceitualmente, o perigo “é errar a técnica”.

Como o risco é probabilidade x consequência, se ele treina muito, a probabilidade de errar é
baixa, baixando o risco.

Essa explicação me fez refletir e enxergar com muito mais clareza essa diferença.
Vamos analisar o momento em que estamos vivendo onde as pessoas estão
basicamente se dividindo em dois grupos, as que não acreditam no risco e as que
morrem de medo da consequência.

Analisemos outros fatos para criarmos uma correlação, 1.35 milhões de pessoas
morrem todos os anos de acidentes de automóvel (OMS) mesmo com regras de
segurança e equipamentos nos veículos que ajudam muito a minimizar o problema.

Mas os números ainda são assustadores, você deixa de pegar seu carro e dirigir por
isso? Ou pior ainda deixa de entrar no carro com outra pessoa dirigindo?

Provavelmente não, embora você saiba que existe o risco, entende que ele é
razoavelmente controlado e que mesmo que aconteça uma batida, ainda assim, ela
ainda tem um índice baixo de probabilidade de te causar um dano sério, embora a
consequência de uma batida em alta velocidade possa sim ser fatal.

No Brasil existem mais de 60.000 assassinatos por ano, um número vergonhoso e
assustador, você mesmo sabendo disso deixa de sair de casa ir trabalhar se divertir e
levar sua vida?

Provavelmente não, pois você entende que tomando medidas de segurança pode minimizar a probabilidade de acontecer algo, reduzindo os riscos e não se preocupar tanto na consequência.

Se olharmos para o atual momento da pandemia mundial do COVID 19 veremos
também um numero assustador de mortes, e isso nos traz insegurança e medo.

Olhando um pouco mais para as estatísticas entendo que o risco é controlável, e como
com relação a violência ou aos acidentes automobilísticos, se tomarmos medidas de
prevenção e segurança podemos levar nossa vida “normalmente” e convivermos com o risco
que o vírus nos impõe.

O que podemos controlar?

Nossa saúde, o que ingerimos e que pode fortalecer nosso sistema imunológico, fazer
atividade física, trabalhar nossa mente para pensamentos positivos.

Sair do quadro de ansiedade e preocupação que estão normalmente ligados a fatores fora de
nosso controle e que são responsáveis por nossos medos e inseguranças.

Podemos voltar para o inicio do texto e fazer novamente o paralelo com o jiu jitsu e a luta, nossa
ansiedade e nervosismo pré competição sempre estão ligados a essa ansiedade e a
movimentos que não nos cabe controlar.

Ser saudável é sem dúvida a melhor defesa contra o vírus e isso esta na maioria dos
casos em seu controle.

As pessoas que carregam alguma doença pré existente ou são mais vulneráveis devem
sim ser cuidadas com muita atenção e talvez se manter em isolamento por mais tempo
até que tenhamos uma vacina ou que o vírus não esteja mais entre nós, o que pode
levar um bom tempo.

Mas se você não esta nessa faixa, é jovem, saudável e produtivo,
não se deixe vencer pela consequência e se concentre em trabalhar na prevenção e em
conviver melhor com esse risco.

E se fizer sentido para você, VIVA.

Afinal nunca sabemos o dia de amanha e precisamos viver o presente como ele se
apresenta para nós.

Forte abraço

 

Fabio Gurgel