Essential Jiu Jitsu — The immutable principles

I received a question today from a friend of mine, Leandro Romano who is writing a book about Jiu Jitsu. It made me think, so I decided to share it with you.

What are the immutable principles of Jiu Jitsu i.e those that never change over time?

In order to have a better understanding of what constitutes an immutable principle, first we have to understand what ‘principles’ are, and what ‘immutable’ is.

“Principles are a set of basic and unquestionable rules that govern or guide the interaction between beings.”

“Immutable is everything that cannot be changed or transformed.”

So immutable principles are a set of basic and unquestionable norms that govern the interaction between beings, and no matter how much time passes, they go strictly unchanged.

So, a question arises: In Jiu Jitsu — which changes and evolves constantly — are there any immutable principles?

My understanding is that there are, and the main one is efficiency. Jiu Jitsu evolves at a very high speed which makes a high-level practitioner who hasn’t practiced for say 2 years feel very uncomfortable training with those who are current. This is due to the huge amount of new techniques that appear all the time, in thousands of gyms around the world, meaning at any one time there are many people thinking about Jiu Jitsu and how to do it better.

However, a technique only appears when it generates results that are effective.

If we take a look at the history of Jiu Jitsu and to make the analogy even easier, we will see that in the first rule written by the Federation of the State of Guanabara (Rio de Janeiro), there were only 3 valid sweeps, they were: the backwards sweep securing the heels, the scissor sweep and the balloon sweep.  If we compare that with today, there are thousands of sweeps that we could describe that are more elaborate and more efficient.

A technique changes as it becomes out of date and ineffective, creating the necessity for it to be adapted or even replaced, but efficiency is the concept that remains through time as the most important principle. However, efficiency must align with another aspect — not using physical force. A technique should only be considered really efficient when it works with “any” opponent.

Here I need to clarify that in Jiu Jitsu, there is no “golden” technique that works with anyone, we have to understand technical efficiency always in the context of the connection of the movements which are nothing more than a set of combined techniques with the goal of efficiency.

That said, let’s go to a second principle that I consider immutable — connecting techniques based on the opponent’s movements. From the very first moments in Jiu Jitsu we learned not to react by instinct, because that was how the techniques were created, based on instinctive reactions that were predictable. When we face fighters who also know the techniques, this process is a little more elaborate and with more possibilities, but it still forces us to connect the techniques according to the movements made by our opponent. The more we predict our opponent’s game the better we are in Jiu Jitsu.

Jiu Jitsu should never be learned with isolated techniques, but in a logical sequence of movements that brings efficiency together. If you stick to these principles, you will be free to learn whatever technique you feel comfortable using and you will have a much deeper understanding of the true meaning of Jiu Jitsu.

Big Hug,

Fabio Gurgel

 

 

 

Jiu Jitsu essencial, princípios imutáveis.

Jiu Jitsu essencial.

Recebi um questionamento hoje de um amigo Leandro Romano que está iniciando um projeto literário sobre Jiu Jitsu.

Isso me fez pensar e decidi compartilhar com vocês.

Quais são os princípios imutáveis no Jiu Jitsu?

Bem para que tenhamos uma melhor compreensão sobre o que vem a ser princípios imutáveis, primeiramente se faz necessário entendermos o que são princípios e o que é imutável.

“Princípios são um conjunto de normas básicas e inquestionáveis que regem ou norteiam a interação entre seres”.

“Imutável é tudo aquilo que não se pode alterar ou transformar”.

Sendo assim, princípios imutáveis são um conjunto de normas básicas e inquestionáveis que regem a interação entre seres e que por mais que passe o tempo permaneceram rigorosamente inalteradas.

Desta forma surge uma indagação: Em um Jiu Jitsu em constante metamorfose, existem princípios imutáveis?

Meu entendimento é que sim, existem, e o principal deles é a eficiência.

O Jiu Jitsu evolui em uma velocidade bem grande o que faz um praticante de alto nível que se afastou por digamos 2 anos fique muito pouco a vontade em treinar com quem está atualizado.

Isso se dá pela enorme quantidade de novas técnicas que surgem a todo instante, em milhares de academias ao redor do mundo, tem muita gente pensando em jiu jitsu e como fazer melhor.

No entanto uma técnica só surge quando ela gera resultado efetivo.

Se dermos uma olhada na história do jiu jitsu e para que a analogia fique ainda mais fácil nas regras do esporte, verificaremos que na primeira regra escrita pela Federação do Estado da Guanabara (Rio de Janeiro), existiam apenas 3 raspagens válidas, eram elas: raspagem para trás segurando os calcanhares, raspagem tesourada e balão.

Comparada as talvez milhares que podemos descrever hoje, mais elaboradas e mais eficientes.

Uma técnica é mutável pois ela pode se tornar obsoleta e de pouca eficácia, precisando ser adaptada ou mesmo substituída de modo que a eficiência permaneça presente como o princípio mais importante.

Porém a eficiência deve estar em consonância com um outro aspecto que é o do não uso da força física, uma técnica só deve ser considerada realmente eficiente quando funcionar com “qualquer” adversário.

Aqui preciso abrir um parêntese para esclarecer que obviamente no jiu jitsu não existe uma técnica “bala de prata” que funcione com qualquer um, devemos entender eficiência técnica sempre sob a luz das conexões de movimento, que nada mais são que um conjunto de técnicas combinadas em busca de eficiência.

Dito isso vamos a um segundo princípio que considero imutável, o da conexão de técnicas baseada nos movimentos do adversário, desde os primeiros passos no jiu jitsu aprendemos a não reagir pelo instinto, pois foi dessa forma que as técnicas foram criadas, baseadas em reações instintivas e previsíveis.

Quando enfrentamos lutadores que também conhecem as técnicas esse processo fica simplesmente mais elaborado e com mais possibilidades, porém continua nos obrigando a conectar as técnicas de acordo com os movimentos feitos por nosso adversário.

Quanto mais prevemos a jogada de nosso adversário melhor somos de jiu jitsu.

O jiu jitsu não deve ser aprendido em técnicas isoladas e sim em uma sequência lógica de movimentos que conectados trazem a eficiência.

Se você se mantiver fiel a esses princípios você estará livre para aprender qualquer que seja a técnica que você se sinta confortável em aplicar e terá um entendimento muito mais profundo do que ojiu jitsu significa.

abraço

Fabio Gurgel

O Jiu Jitsu nunca foi tão bom.

O Jiu Jitsu nunca foi tão bom.

Hoje existem muito mais oportunidades, informação e técnica, mais respeito e muito mais praticantes fazendo Jiu Jitsu.

Concorda ou não? Deixe seu comentário mas antes vamos analisar alguns pontos.

É comum o fato de escutarmos aqui e ali o discurso do old school x o Jiu Jitsu de hoje eu mesmo já fiz um vídeo a respeito disso que você pode assistir aqui.

Isso no meu entender não faz o menor sentido e como bem colocado pelo prof. Draculino em seu recente post no Instagram todas as tentativas de categorizar o Jiu Jitsu seguem na mão contrária do desenvolvimento, todos deveriam remar na mesma direção.

No entanto o texto de hoje não tem o objetivo de discutir novamente esse tema, mas sim de enfatizar o momento que vivemos.

A evolução do esporte se dá de várias formas e é realizado por variadas fontes o que traz uma quantidade significativa de exemplos a serem seguidos e isso vai mudando o todo para melhor.

O advento da internet tem contribuição significativa para a evolução das técnicas, hoje uma técnica usada em um campeonato é imediatamente consumida, aprendida e disseminada quase que imediatamente e de forma muito abrangente.

A internet é também responsável por conectar atletas e professores ao redor do mundo, criando oportunidade para seminários onde além de técnicas esses profissionais despertam um interesse nas gerações futuras o que mantém a chama acessa por mais pessoas querendo Viver de jiu jitsu.

Existem professores que defendem a ideia de que o jiu jitsu deve ser ensinado como defesa pessoal, outros preferem focar no lado esportivo, outros preferem entregar um jiu jitsu para todos os objetivos (meu caso) embora não exista uma padronização no ensino entre as academias é importante frisar que estamos devagar chegando a algo mais perto disso.

A grande virada em minha opinião esta ligada a metodologia de aulas coletivas, criada há 20 anos em nossa escola (não tenho conhecimento de nenhuma anterior mas é possível).

Essa prática hoje é encontrada em várias escolas que se preocupam em separar os níveis de aula e entender que cada aluno tem seu tempo de aprendizado e objetivo quando procura uma academia de artes marciais.

O resultado disso é um numero muito maior de praticantes e uma vida muito melhor para quem escolheu já há algum tempo Viver de Jiu Jitsu.

Entregamos um jiu jitsu mais profissional e segmentado, e isso por si só já é uma espécie de padronização.

O aumento de praticantes é a mola propulsora do crescimento dos eventos esportivos, campeonatos oficiais batem seguidos recordes de participantes.

Os campeonatos principais tem hoje 6, 7, 8 mil atletas inscritos outros torneios menores acontecem nos 5 continentes durante todo o ano.

A indústria olha esses números e também se desenvolve com marcas de kimono, empresas de mídia digital, canais de YouTube, empresas de produção de conteúdo técnico todos crescendo em alta velocidade e com números inimagináveis há alguns anos atrás.

Uma outra evolução visível esta no comportamento dos praticantes, outrora marginalizados e rotulados como “bad boys” a imagem do praticante de Jiu Jitsu volta a ter um certo glamour e mais importante, nossa atividade volta a ter o reconhecimento da melhoria de qualidade de vida das pessoas, mudança essencial para o contínuo aumento de alunos nas academias.

É claro que esse crescimento não é linear e por vezes temos alguns pontos que nos fazem andar um pouco na contra mão dessa evolução, casos como o que citei acima onde as pessoas tentam categorizar o Jiu Jitsu em “Old School x New school” “Gracie Jiu Jitsu”, “BJJ”, “Submission Wrestling”, “American Jiu jitsu” etc… no meu entender não colaboram para a evolução do todo e pretendem apenas favorecer aqueles que com algum destaque individual tentam desviar o caminho por interesse próprio.

Entendo o Jiu jitsu como apenas uma coisa e em constante evolução, o fato de ter um americano campeão não torna o jiu jitsu em algo americano da mesma forma que ter um Gracie campeão (mesmo eles tendo sido a razão de tudo que vivemos) não torna o Jiu jitsu em Gracie Jiu jitsu e assim por diante em todos os exemplos que vocês encontrarem a mesma regra se aplica, Jiu Jitsu é Jiu Jitsu.

Outro desvio que acho precisa ser arrumado é o “trash talk” uma prática que por vezes de fato promove um evento ( geralmente quanto mais as pessoas se atacam antes pior é a luta) mas que tem uma linha muito tênue entre o que esta no limite do respeito e é as vezes até divertido com o que de fato fere a conduta marcial.

Acho que o Jiu jitsu achará o equilíbrio pois é possível que o falastrão tenha uma carreira mais curta e depois de acabar sua fase de atleta talvez veja as possibilidades se estreitarem em comparação ao atleta que tem uma conduto mais condizente com os valores da maioria, acredito ainda que os lutadores atrairão cada vez mais publico pelo que apresentam no tatame que no fim, é o que importa.

Temos também uma evolução na mídia, e que também não se da de forma linear, saímos das caseiras revistas especializadas para sites na internet e empresas de transmissão streaming que além de transmitir os principais eventos ainda criam conteúdo relevante fazem reportagens e levam informação para milhares de praticantes nos 4 cantos do mundo.

Podemos concordar ou não com o conteúdo jornalístico e forma de abordagem dos assuntos, mas é inegável a evolução na qualidade do produto.

E quanto mais sucesso tiverem mais despertarão a concorrência que possivelmente virá com um discurso oposto e esse equilíbrio natural com certeza fará bem ao todo. Quanto mais imprensa especializada melhor, goste você dela ou não.

Eventos profissionais são outro ponto que nos prova o quanto caminhamos, embora ainda sem comprovação da sustentabilidade desses eventos ( receita x despesas) o fato é que eles acontecem em cada vez maior numero e com prêmios cada vez mais atrativos.

É bem possível que a internet e os serviços de streaming tornem esses eventos cada vez mais viáveis e por consequência mais lucrativos, permitindo que mais atletas sejam mais bem pagos abrindo assim mais uma oportunidade para se Viver de jiu Jitsu.

Meu entendimento é que a mola propulsora de todo esse desenvolvimento esta nas academias e talvez esse ainda seja nosso ponto mais sensível.

As academias ainda não funcionam em sua maioria de forma profissional o que faz com que muitos professores não consigam ter uma qualidade de vida confortável o que obviamente reflete no seu serviço para os alunos e também na longevidade de sua escola.

O jiu jitsu ainda expulsa muita gente, embora tenhamos evoluído drasticamente, compare uma academia na década de 90 ou mesmo da década seguinte, se você tivesse 200 alunos tinha uma academia grande e de sucesso, hoje vemos academias com 500, 700 até 1000 alunos, a evolução salta aos olhos.

Mas essa realidade embora exista ainda não é comum, eu expliquei isso em meu texto passado quando falei sobre o problema dos pequenos negócios e como precisamos de planejamento para termos sucesso.

Mas essa informação também é cada vez mais disponível assim como todo o conhecimento relacionado ao Jiu jitsu, nós estamos entendendo que quanto mais compartilhamos o que sabemos melhor seremos.

“Compartilhar conhecimento faz com que eu ajude o próximo sem que ele tire nada de mim”

Enfim se você esta no jiu jitsu, seja como aluno, professor, atleta, investidor, produtor de conteúdo, fabricante de kimono, mídia, etc.. você está no melhor momento da história do jiu jitsu e só posso acreditar que evoluiremos muito mais ainda e muito rápido.

Esta acontecendo agora e se por algum motivo você não esta enxergando, avalie o que você esta fazendo de errado pois a culpa não esta no mercado, na academia que você treina ou em qualquer outro lugar, esta em você. Se organize e coloque os dois pés no barco não vai ter erro.

Forte abraço a todos

Fabio Gurgel

A Martial Arts Academy: Dream versus Reality

 

Anybody that loves martial arts at some point dreams of having their own gym. This has been the case for me ever since I was 15-years-old with many of my friends following the same path.

But where are they now? How are you doing in your business?

Unfortunately, there are few academies still in business today and there are even fewer people who have managed to transform the dream they had when they were younger into a business, living a comfortable life with free time — ‘time’ the only irrecoverable asset, a luxury for very few today.

Of course, this is not just a reality for Jiu Jitsu or other martial arts, it happens with all kinds of businesses. The reality of failing businesses is also not just confined to Brazil  (there is no excuse for our economic problems here), it’s a common occurrence worldwide. In Michael Gerber’s book, “The E-Myth” he explains that 1 million new businesses open each year in the USA, but 80% also close in that first year.  The reason why this happens in our reality is very clear and that is the reason I wanted to write this text.

I want to explain why people fall into this trap and to help you so you don’t make the same mistake.

Every small business starts with a coach, in our case we will consider that person a Jiu Jitsu teacher. This teacher was at one point a practitioner, someone who fell in love with the art, persevered and finally graduated to earn the long-awaited black belt. In most cases he wouldn’t have been taught how to teach, but let’s ignore that for now, let’s assume that he is a competent teacher.

He loves teaching and takes good care of his students. One day without much explanation he feels the desire to have his own gym which can happen for several reasons: maybe because of the admiration of the lifestyle that he imagines it will bring, because he thinks he will be able to earn good money, family pressure, or perhaps he sees it as the next logical step — there are many reasons.

So, the big day finally arrives, and he starts his small business, catering to all his new students. He teaches all the classes, opens the gym early and closes it at night.  He works many hours a day teaching all the classes, but now there are other things to take care of. He has to take care of the financial part, maintenance, cleaning, marketing, worrying about retaining students, the team of teachers — the list is endless. He also needs to hire a lawyer to write the student contracts, he needs to pay rent, water, electricity. The day has few hours and so much work. He is exhausted and money is short, but in his mind it’s still the beginning so he continues striving to attract more students. He doesn’t have the time to study marketing, or the money to hire someone so he doesn’t market the gym. The gym stops being a pleasure to run because of the sheer amount of problems to solve on a daily basis.

This routine is repeated day after day, week after week, month after month and the process starts becoming exhausting. It was never meant to be so wearing, especially working with something you love.

What I just described above is a job instead of a business, but with all the risks of being an entrepreneur. The outcome of this story is often not good — let’s explore some possible scenarios.

In the first scenario, the teacher closes his academy and goes back to teaching in a place where there are fewer problems; he can do what he knows and likes and receives a guaranteed salary.

In the second scenario he keeps going and bankrupts the business.

Finally, perhaps the most dramatic of all the scenarios — he survives and keeps going, but at the end of that path nothing has actually been built and the teacher’s energy is depleted. He is tired, his classes are perhaps technically outdated, and he can see the end approaching. Unfortunately, this can happen when there isn’t enough time for reinvention, meaning the future of this teacher will probably not be in Jiu Jitsu. This is a common story of many teachers who went through Jiu Jitsu, who are in it now, and will probably continue to happen if we don’t understand where the error is.

I also went through this. I set up my gym in São Paulo and because of lack of experience and knowledge (I was 25 years old and had been a black belt for 6 years) I was broke. I had to move to a gym where I could continue developing my work, with more time to study and learn how to do it the right way. I was lucky, I had failed early at the age of 27, in the same year that I became 2X world champion. I closed my gym with more than 200 students because I couldn’t pay the bills. I was lucky because I had the time, and because I studied, I was prepared to take advantage of the next opportunity that appeared 8 years later.

Martial arts academies require careful planning — it’s an endeavour that requires understanding the numbers, investment, financial control, management of people, and above all it requires a system that encompasses all of this. This is the remedy for the problem that has removed many great masters from building a legacy in business, becoming just memories in time.

I am proof that it is possible to have a good Jiu Jitsu business and that it is possible to fix the process in the midst of it.  I really believe that martial arts academies will change in the same way that fitness gyms did back in the 80s. We just need to educate our teachers, and find out if they have that entrepreneurial streak or if they prefer to move forward as coaches — the two functions are important and will be valued in a market that has a huge space for growth, but they are different and this needs to be understood.

A big hug

Fabio Gurgel

Academia de artes marciais, Sonho X Realidade

Academia de Artes Marciais, Sonho X Realidade.

Todo garoto que ama arte marcial em algum momento sonha em ter sua própria academia.

Foi assim comigo desde meus 15 anos e com tantos outros amigos que trilharam o mesmo caminho.

Onde estão eles? Como estão indo em seus negócios?

Infelizmente raríssimas exceções seguem no ramo e mais raras ainda são as pessoas que conseguiram transformar seu sonho de jovem em um negócio e com ele poder ter uma vida confortável além de tempo, tempo, o único bem irrecuperável, um luxo para muitos poucos hoje em dia.

É claro que essa não é uma realidade apenas do jiu jitsu ou das artes marciais, isso acontece com todos os ramos. Não é uma realidade também apenas do Brasil (não cabe aqui a desculpa de nossos problemas econômicos), negócios pequenos como Michael Gerber coloca em seu livro “The E-Myth” são abertos nos EUA ao impressionante número de 1 milhão por ano e tem uma estatística ainda mais chocante de 80% de fechamento no primeiro ano.

O motivo por que isso acontece fica muito claro em nossa realidade e esse é o motivo desse meu texto, tentar explicar essa armadilha e de alguma forma ajuda-lo a não cair nela.

Todo pequeno negócio começa com algum técnico, em nosso caso vamos considerar um professor de jiu jitsu.

Esse professor foi praticante, se apaixonou pela arte, perseverou e finalmente se graduou a tão sonhada faixa preta.

Muitas vezes ele não teve uma formação como professor, mas vamos desconsiderar isso por agora, vamos assumir que ele é um professor competente.

Ele adora dar aulas e cuida muito bem dos alunos, um dia sem muita explicação sente a vontade de ter sua própria academia, isso pode acontecer por diversos motivos, pela admiração ao estilo de vida que imagina a profissão trará, por achar que vai conseguir ganhar um bom dinheiro, por pressão familiar, por enxergar isso como o caminho natural entre outros.

O grande dia finalmente chega e ele começa seu pequeno negócio.

Atende os novos alunos dá todas as aulas, abre a academia cedo e fecha a noite.

Trabalha muitas horas por dia, da todas as aulas, porém não contava com outras funções que ele agora precisa se preocupar, tem que cuidar do financeiro, cuidar da manutenção, da limpeza, do marketing, da retenção de alunos, da equipe de professores e a lista não acaba… advogado para fazer contrato com alunos, pagar aluguel, agua, luz. O dia tem poucas horas para tanto trabalho.

Fica exausto e além do mais o dinheiro sempre é curto, mas ainda é o começo e ele segue se esforçando para atrair mais alunos mesmo que não faça um trabalho de marketing apropriado (não tem tempo de estudar nem dinheiro para contratar quem faça) as aulas já não trazem tanto prazer pela quantidade diária de problemas para resolver.

Isso se repete dia após dia, semana após semana, mês após mês. O processo vai ficando muito desgastante afinal jiu jitsu não era para ser em nada estressante e sim puro prazer de trabalhar com o que se ama.

O que acabo de descrever acima é a construção de um emprego ao invés de um negócio, porém com todos os riscos de ser um empreendedor.

O desfecho dessa estória na maioria das vezes não é boa, vamos ver alguns cenários possíveis.

No primeiro o professor fecha sua academia e volta a dar aulas em algum lugar onde não existam tantos problemas e ele possa fazer o que sabe e gosta e receber um salário garantido.

No segundo, ele insiste e leva o negócio a falência.

Por fim talvez o mais dramático, ele sobrevive e resiste, mas ao final dessa estrada nada foi de fato construído e a energia de outrora não existe mais, o professor esta cansado suas aulas talvez tecnicamente ultrapassadas e ele pode ver o fim se aproximando.

Infelizmente isso pode acontecer em uma fase onde não se terá mais muito tempo de se reinventar e o futuro desse professor provavelmente não será no jiu jitsu.

Essa é a história de muitos professores que passaram pelo jiu jitsu, que estão nele agora e provavelmente seguirá acontecendo se não entendermos onde esta o erro.

Eu pessoalmente passei por isso, montei minha academia em São Paulo e por falta de experiência ( tinha 25 anos e já era faixa preta há 6) e principalmente de conhecimento quebrei. Tive que mudar para dentro de uma academia onde pude continuar desenvolvendo meu trabalho e com mais tempo para estudar e aprender como fazer da forma certa.

Eu tive sorte, quebrei cedo com 27. No mesmo ano que me tornava bi campeão mundial fechava minha academia com mais de 200 alunos pois não conseguia pagar as contas.

Tive sorte porque tive tempo, e mérito porque estudei e me preparei para aproveitar a próxima oportunidade que só apareceu 8 anos depois.

Academia de arte marcial requer planejamento, entendimento dos números, investimento, controle financeiro, gestão de pessoas e principalmente um sistema que englobe tudo isso.

Esse é o remédio para esse mal que há tanto tempo tira nossos mestres do nosso meio e os deixa saudosamente apenas na história.

Eu sou a prova que é possível ter um bom negócio de jiu jitsu e que é possível consertar o processo em voo.

Acredito muito que as academias de arte marcial vão se transformar do mesmo jeito que as academias de ginástica fizeram na década de 80, para isso precisamos apenas educar nossos professores para descobrir se eles tem a veia empreendedora na calibragem certa ou se preferem seguir como técnicos, as duas funções são importantes e vitais para o negócio e serão valorizadas em um mercado que tem um espaço enorme de crescimento mas elas são diferentes e isso precisa ser entendido.

Se você leu até aqui e se interessou em saber em mais detalhes como se previnir desse mal clique no botão abaixo.

TATAME & NEGÓCIOS

Um forte abraço

 

Fabio Gurgel

Você já pensou em ter uma academia de artes marciais?

Luís Amoroso e Fabio GurgelVocê já pensou em ter uma academia de Jiu jitsu?

E Karatê, Muay Thai ou Boxe?

 

Se você foi ou é um atleta de luta talvez essa possibilidade de ter uma academia de artes marciais já tenha passado pela sua cabeça.

Se você é professor é muito provável que você tenha pensado nisso ou que eventualmente até seja dono de uma.

Se você é apenas um praticante, mas que vive a arte marcial e seu estilo de vida intensamente também existe uma possibilidade razoável que você já tenha pensado em ter um negócio relacionado.

Se somarmos, os atletas com os professores e com os praticantes interessados chegaremos a um número razoavelmente grande de pessoas que pensaram ou pensam em ter uma academia de artes marciais.

Por que então não existem tantas academias assim? Por que ainda mais raras são as academias que tem sucesso?

Gosto sempre de fazer uma reflexão de quando vivia no Rio na década de 80, vocês sabiam que as melhores academias de ginástica do Rio se encontravam em salas de prédios comerciais? Com pouquíssima ou nenhuma estrutura? Era apenas uma sala com os colchonetes e caneleiras usadas pela mulherada, bastões de madeira, pesinhos de mão e outros poucos equipamentos.

Hoje quando olhamos o mercado do fitness podemos entender a importância de aprimorar as práticas e entregar um serviço melhor. Hoje as antigas academias de ginástica são as grandes redes de fitness com faturamento de centenas de milhões de reais.

Ok, então por que isso não acontece nas artes marciais? A pergunta deveria ser:  Por que não acontece ainda?

Acredito que vai acontecer quando os professores entenderem que são prestadores de serviço, quando as informações de como funciona o negócio estiverem claras para aquele que detém o capital (investidor) e quando os dois entenderem que são necessários um para o outro.

O jogo claro vai também evitar que exista um desgaste na relação entre professor e aluno (investidor) pois a falta de conhecimento pode gerar expectativas muito diferentes entre as partes.

O maior beneficiado será sempre o cliente que terá uma aula melhor em um local cada vez mais apropriado.

As artes marciais têm a possibilidade de multiplicar o número de praticantes em pouco tempo para isso basta que os profissionais se preparem melhor e que possam oferecer um produto atrativo para quem adoraria investir nesse segmento.

Foi pensando nisso que depois de criar o Viver de jiu jitsu, programa que ensina como se gerir uma academia de qualquer arte marcial, entrei hoje novamente em estúdio para gravar um novo programa.

Dessa vez o foco será em mostrar tanto para o professor ou atleta como fazer a transição para empreendedor, ensinando-o como avaliar um negócio já existente, como captar recursos? Como mostrar o valor do negócio a um possível investidor?

Começar um projeto do zero ou montar uma carteira de alunos primeiro?

E também olhar pelo lado do investidor, mostrando a ele o tamanho do investimento, o tempo do retorno do capital investido, pontos de fragilidade e como combate-los, qual modelo de sociedade deve ser montado com o professor entre outras coisas.

Estou muito animado!

Terei junto comigo nesse projeto ninguém menos que Luís Amoroso, um dos maiores especialistas do mercado de academia no Brasil.

Luís foi responsável pela mudança do meu negócio há 10 anos atrás e se tornou um grande amigo e parceiro desde então, estamos desenhando esse projeto há algum tempo e só pelo que produzimos no primeiro dia de filmagem tenho certeza que vocês vão ficar muito felizes com o resultado e que isso vai levar o negócio de artes marciais para outro patamar no Brasil.

 

Um abraço

Fabio Gurgel