O Jiu Jitsu nunca foi tão bom.

O Jiu Jitsu nunca foi tão bom.

Hoje existem muito mais oportunidades, informação e técnica, mais respeito e muito mais praticantes fazendo Jiu Jitsu.

Concorda ou não? Deixe seu comentário mas antes vamos analisar alguns pontos.

É comum o fato de escutarmos aqui e ali o discurso do old school x o Jiu Jitsu de hoje eu mesmo já fiz um vídeo a respeito disso que você pode assistir aqui.

Isso no meu entender não faz o menor sentido e como bem colocado pelo prof. Draculino em seu recente post no Instagram todas as tentativas de categorizar o Jiu Jitsu seguem na mão contrária do desenvolvimento, todos deveriam remar na mesma direção.

No entanto o texto de hoje não tem o objetivo de discutir novamente esse tema, mas sim de enfatizar o momento que vivemos.

A evolução do esporte se dá de várias formas e é realizado por variadas fontes o que traz uma quantidade significativa de exemplos a serem seguidos e isso vai mudando o todo para melhor.

O advento da internet tem contribuição significativa para a evolução das técnicas, hoje uma técnica usada em um campeonato é imediatamente consumida, aprendida e disseminada quase que imediatamente e de forma muito abrangente.

A internet é também responsável por conectar atletas e professores ao redor do mundo, criando oportunidade para seminários onde além de técnicas esses profissionais despertam um interesse nas gerações futuras o que mantém a chama acessa por mais pessoas querendo Viver de jiu jitsu.

Existem professores que defendem a ideia de que o jiu jitsu deve ser ensinado como defesa pessoal, outros preferem focar no lado esportivo, outros preferem entregar um jiu jitsu para todos os objetivos (meu caso) embora não exista uma padronização no ensino entre as academias é importante frisar que estamos devagar chegando a algo mais perto disso.

A grande virada em minha opinião esta ligada a metodologia de aulas coletivas, criada há 20 anos em nossa escola (não tenho conhecimento de nenhuma anterior mas é possível).

Essa prática hoje é encontrada em várias escolas que se preocupam em separar os níveis de aula e entender que cada aluno tem seu tempo de aprendizado e objetivo quando procura uma academia de artes marciais.

O resultado disso é um numero muito maior de praticantes e uma vida muito melhor para quem escolheu já há algum tempo Viver de Jiu Jitsu.

Entregamos um jiu jitsu mais profissional e segmentado, e isso por si só já é uma espécie de padronização.

O aumento de praticantes é a mola propulsora do crescimento dos eventos esportivos, campeonatos oficiais batem seguidos recordes de participantes.

Os campeonatos principais tem hoje 6, 7, 8 mil atletas inscritos outros torneios menores acontecem nos 5 continentes durante todo o ano.

A indústria olha esses números e também se desenvolve com marcas de kimono, empresas de mídia digital, canais de YouTube, empresas de produção de conteúdo técnico todos crescendo em alta velocidade e com números inimagináveis há alguns anos atrás.

Uma outra evolução visível esta no comportamento dos praticantes, outrora marginalizados e rotulados como “bad boys” a imagem do praticante de Jiu Jitsu volta a ter um certo glamour e mais importante, nossa atividade volta a ter o reconhecimento da melhoria de qualidade de vida das pessoas, mudança essencial para o contínuo aumento de alunos nas academias.

É claro que esse crescimento não é linear e por vezes temos alguns pontos que nos fazem andar um pouco na contra mão dessa evolução, casos como o que citei acima onde as pessoas tentam categorizar o Jiu Jitsu em “Old School x New school” “Gracie Jiu Jitsu”, “BJJ”, “Submission Wrestling”, “American Jiu jitsu” etc… no meu entender não colaboram para a evolução do todo e pretendem apenas favorecer aqueles que com algum destaque individual tentam desviar o caminho por interesse próprio.

Entendo o Jiu jitsu como apenas uma coisa e em constante evolução, o fato de ter um americano campeão não torna o jiu jitsu em algo americano da mesma forma que ter um Gracie campeão (mesmo eles tendo sido a razão de tudo que vivemos) não torna o Jiu jitsu em Gracie Jiu jitsu e assim por diante em todos os exemplos que vocês encontrarem a mesma regra se aplica, Jiu Jitsu é Jiu Jitsu.

Outro desvio que acho precisa ser arrumado é o “trash talk” uma prática que por vezes de fato promove um evento ( geralmente quanto mais as pessoas se atacam antes pior é a luta) mas que tem uma linha muito tênue entre o que esta no limite do respeito e é as vezes até divertido com o que de fato fere a conduta marcial.

Acho que o Jiu jitsu achará o equilíbrio pois é possível que o falastrão tenha uma carreira mais curta e depois de acabar sua fase de atleta talvez veja as possibilidades se estreitarem em comparação ao atleta que tem uma conduto mais condizente com os valores da maioria, acredito ainda que os lutadores atrairão cada vez mais publico pelo que apresentam no tatame que no fim, é o que importa.

Temos também uma evolução na mídia, e que também não se da de forma linear, saímos das caseiras revistas especializadas para sites na internet e empresas de transmissão streaming que além de transmitir os principais eventos ainda criam conteúdo relevante fazem reportagens e levam informação para milhares de praticantes nos 4 cantos do mundo.

Podemos concordar ou não com o conteúdo jornalístico e forma de abordagem dos assuntos, mas é inegável a evolução na qualidade do produto.

E quanto mais sucesso tiverem mais despertarão a concorrência que possivelmente virá com um discurso oposto e esse equilíbrio natural com certeza fará bem ao todo. Quanto mais imprensa especializada melhor, goste você dela ou não.

Eventos profissionais são outro ponto que nos prova o quanto caminhamos, embora ainda sem comprovação da sustentabilidade desses eventos ( receita x despesas) o fato é que eles acontecem em cada vez maior numero e com prêmios cada vez mais atrativos.

É bem possível que a internet e os serviços de streaming tornem esses eventos cada vez mais viáveis e por consequência mais lucrativos, permitindo que mais atletas sejam mais bem pagos abrindo assim mais uma oportunidade para se Viver de jiu Jitsu.

Meu entendimento é que a mola propulsora de todo esse desenvolvimento esta nas academias e talvez esse ainda seja nosso ponto mais sensível.

As academias ainda não funcionam em sua maioria de forma profissional o que faz com que muitos professores não consigam ter uma qualidade de vida confortável o que obviamente reflete no seu serviço para os alunos e também na longevidade de sua escola.

O jiu jitsu ainda expulsa muita gente, embora tenhamos evoluído drasticamente, compare uma academia na década de 90 ou mesmo da década seguinte, se você tivesse 200 alunos tinha uma academia grande e de sucesso, hoje vemos academias com 500, 700 até 1000 alunos, a evolução salta aos olhos.

Mas essa realidade embora exista ainda não é comum, eu expliquei isso em meu texto passado quando falei sobre o problema dos pequenos negócios e como precisamos de planejamento para termos sucesso.

Mas essa informação também é cada vez mais disponível assim como todo o conhecimento relacionado ao Jiu jitsu, nós estamos entendendo que quanto mais compartilhamos o que sabemos melhor seremos.

“Compartilhar conhecimento faz com que eu ajude o próximo sem que ele tire nada de mim”

Enfim se você esta no jiu jitsu, seja como aluno, professor, atleta, investidor, produtor de conteúdo, fabricante de kimono, mídia, etc.. você está no melhor momento da história do jiu jitsu e só posso acreditar que evoluiremos muito mais ainda e muito rápido.

Esta acontecendo agora e se por algum motivo você não esta enxergando, avalie o que você esta fazendo de errado pois a culpa não esta no mercado, na academia que você treina ou em qualquer outro lugar, esta em você. Se organize e coloque os dois pés no barco não vai ter erro.

Forte abraço a todos

Fabio Gurgel

A Martial Arts Academy: Dream versus Reality

 

Anybody that loves martial arts at some point dreams of having their own gym. This has been the case for me ever since I was 15-years-old with many of my friends following the same path.

But where are they now? How are you doing in your business?

Unfortunately, there are few academies still in business today and there are even fewer people who have managed to transform the dream they had when they were younger into a business, living a comfortable life with free time — ‘time’ the only irrecoverable asset, a luxury for very few today.

Of course, this is not just a reality for Jiu Jitsu or other martial arts, it happens with all kinds of businesses. The reality of failing businesses is also not just confined to Brazil  (there is no excuse for our economic problems here), it’s a common occurrence worldwide. In Michael Gerber’s book, “The E-Myth” he explains that 1 million new businesses open each year in the USA, but 80% also close in that first year.  The reason why this happens in our reality is very clear and that is the reason I wanted to write this text.

I want to explain why people fall into this trap and to help you so you don’t make the same mistake.

Every small business starts with a coach, in our case we will consider that person a Jiu Jitsu teacher. This teacher was at one point a practitioner, someone who fell in love with the art, persevered and finally graduated to earn the long-awaited black belt. In most cases he wouldn’t have been taught how to teach, but let’s ignore that for now, let’s assume that he is a competent teacher.

He loves teaching and takes good care of his students. One day without much explanation he feels the desire to have his own gym which can happen for several reasons: maybe because of the admiration of the lifestyle that he imagines it will bring, because he thinks he will be able to earn good money, family pressure, or perhaps he sees it as the next logical step — there are many reasons.

So, the big day finally arrives, and he starts his small business, catering to all his new students. He teaches all the classes, opens the gym early and closes it at night.  He works many hours a day teaching all the classes, but now there are other things to take care of. He has to take care of the financial part, maintenance, cleaning, marketing, worrying about retaining students, the team of teachers — the list is endless. He also needs to hire a lawyer to write the student contracts, he needs to pay rent, water, electricity. The day has few hours and so much work. He is exhausted and money is short, but in his mind it’s still the beginning so he continues striving to attract more students. He doesn’t have the time to study marketing, or the money to hire someone so he doesn’t market the gym. The gym stops being a pleasure to run because of the sheer amount of problems to solve on a daily basis.

This routine is repeated day after day, week after week, month after month and the process starts becoming exhausting. It was never meant to be so wearing, especially working with something you love.

What I just described above is a job instead of a business, but with all the risks of being an entrepreneur. The outcome of this story is often not good — let’s explore some possible scenarios.

In the first scenario, the teacher closes his academy and goes back to teaching in a place where there are fewer problems; he can do what he knows and likes and receives a guaranteed salary.

In the second scenario he keeps going and bankrupts the business.

Finally, perhaps the most dramatic of all the scenarios — he survives and keeps going, but at the end of that path nothing has actually been built and the teacher’s energy is depleted. He is tired, his classes are perhaps technically outdated, and he can see the end approaching. Unfortunately, this can happen when there isn’t enough time for reinvention, meaning the future of this teacher will probably not be in Jiu Jitsu. This is a common story of many teachers who went through Jiu Jitsu, who are in it now, and will probably continue to happen if we don’t understand where the error is.

I also went through this. I set up my gym in São Paulo and because of lack of experience and knowledge (I was 25 years old and had been a black belt for 6 years) I was broke. I had to move to a gym where I could continue developing my work, with more time to study and learn how to do it the right way. I was lucky, I had failed early at the age of 27, in the same year that I became 2X world champion. I closed my gym with more than 200 students because I couldn’t pay the bills. I was lucky because I had the time, and because I studied, I was prepared to take advantage of the next opportunity that appeared 8 years later.

Martial arts academies require careful planning — it’s an endeavour that requires understanding the numbers, investment, financial control, management of people, and above all it requires a system that encompasses all of this. This is the remedy for the problem that has removed many great masters from building a legacy in business, becoming just memories in time.

I am proof that it is possible to have a good Jiu Jitsu business and that it is possible to fix the process in the midst of it.  I really believe that martial arts academies will change in the same way that fitness gyms did back in the 80s. We just need to educate our teachers, and find out if they have that entrepreneurial streak or if they prefer to move forward as coaches — the two functions are important and will be valued in a market that has a huge space for growth, but they are different and this needs to be understood.

A big hug

Fabio Gurgel

Academia de artes marciais, Sonho X Realidade

Academia de Artes Marciais, Sonho X Realidade.

Todo garoto que ama arte marcial em algum momento sonha em ter sua própria academia.

Foi assim comigo desde meus 15 anos e com tantos outros amigos que trilharam o mesmo caminho.

Onde estão eles? Como estão indo em seus negócios?

Infelizmente raríssimas exceções seguem no ramo e mais raras ainda são as pessoas que conseguiram transformar seu sonho de jovem em um negócio e com ele poder ter uma vida confortável além de tempo, tempo, o único bem irrecuperável, um luxo para muitos poucos hoje em dia.

É claro que essa não é uma realidade apenas do jiu jitsu ou das artes marciais, isso acontece com todos os ramos. Não é uma realidade também apenas do Brasil (não cabe aqui a desculpa de nossos problemas econômicos), negócios pequenos como Michael Gerber coloca em seu livro “The E-Myth” são abertos nos EUA ao impressionante número de 1 milhão por ano e tem uma estatística ainda mais chocante de 80% de fechamento no primeiro ano.

O motivo por que isso acontece fica muito claro em nossa realidade e esse é o motivo desse meu texto, tentar explicar essa armadilha e de alguma forma ajuda-lo a não cair nela.

Todo pequeno negócio começa com algum técnico, em nosso caso vamos considerar um professor de jiu jitsu.

Esse professor foi praticante, se apaixonou pela arte, perseverou e finalmente se graduou a tão sonhada faixa preta.

Muitas vezes ele não teve uma formação como professor, mas vamos desconsiderar isso por agora, vamos assumir que ele é um professor competente.

Ele adora dar aulas e cuida muito bem dos alunos, um dia sem muita explicação sente a vontade de ter sua própria academia, isso pode acontecer por diversos motivos, pela admiração ao estilo de vida que imagina a profissão trará, por achar que vai conseguir ganhar um bom dinheiro, por pressão familiar, por enxergar isso como o caminho natural entre outros.

O grande dia finalmente chega e ele começa seu pequeno negócio.

Atende os novos alunos dá todas as aulas, abre a academia cedo e fecha a noite.

Trabalha muitas horas por dia, da todas as aulas, porém não contava com outras funções que ele agora precisa se preocupar, tem que cuidar do financeiro, cuidar da manutenção, da limpeza, do marketing, da retenção de alunos, da equipe de professores e a lista não acaba… advogado para fazer contrato com alunos, pagar aluguel, agua, luz. O dia tem poucas horas para tanto trabalho.

Fica exausto e além do mais o dinheiro sempre é curto, mas ainda é o começo e ele segue se esforçando para atrair mais alunos mesmo que não faça um trabalho de marketing apropriado (não tem tempo de estudar nem dinheiro para contratar quem faça) as aulas já não trazem tanto prazer pela quantidade diária de problemas para resolver.

Isso se repete dia após dia, semana após semana, mês após mês. O processo vai ficando muito desgastante afinal jiu jitsu não era para ser em nada estressante e sim puro prazer de trabalhar com o que se ama.

O que acabo de descrever acima é a construção de um emprego ao invés de um negócio, porém com todos os riscos de ser um empreendedor.

O desfecho dessa estória na maioria das vezes não é boa, vamos ver alguns cenários possíveis.

No primeiro o professor fecha sua academia e volta a dar aulas em algum lugar onde não existam tantos problemas e ele possa fazer o que sabe e gosta e receber um salário garantido.

No segundo, ele insiste e leva o negócio a falência.

Por fim talvez o mais dramático, ele sobrevive e resiste, mas ao final dessa estrada nada foi de fato construído e a energia de outrora não existe mais, o professor esta cansado suas aulas talvez tecnicamente ultrapassadas e ele pode ver o fim se aproximando.

Infelizmente isso pode acontecer em uma fase onde não se terá mais muito tempo de se reinventar e o futuro desse professor provavelmente não será no jiu jitsu.

Essa é a história de muitos professores que passaram pelo jiu jitsu, que estão nele agora e provavelmente seguirá acontecendo se não entendermos onde esta o erro.

Eu pessoalmente passei por isso, montei minha academia em São Paulo e por falta de experiência ( tinha 25 anos e já era faixa preta há 6) e principalmente de conhecimento quebrei. Tive que mudar para dentro de uma academia onde pude continuar desenvolvendo meu trabalho e com mais tempo para estudar e aprender como fazer da forma certa.

Eu tive sorte, quebrei cedo com 27. No mesmo ano que me tornava bi campeão mundial fechava minha academia com mais de 200 alunos pois não conseguia pagar as contas.

Tive sorte porque tive tempo, e mérito porque estudei e me preparei para aproveitar a próxima oportunidade que só apareceu 8 anos depois.

Academia de arte marcial requer planejamento, entendimento dos números, investimento, controle financeiro, gestão de pessoas e principalmente um sistema que englobe tudo isso.

Esse é o remédio para esse mal que há tanto tempo tira nossos mestres do nosso meio e os deixa saudosamente apenas na história.

Eu sou a prova que é possível ter um bom negócio de jiu jitsu e que é possível consertar o processo em voo.

Acredito muito que as academias de arte marcial vão se transformar do mesmo jeito que as academias de ginástica fizeram na década de 80, para isso precisamos apenas educar nossos professores para descobrir se eles tem a veia empreendedora na calibragem certa ou se preferem seguir como técnicos, as duas funções são importantes e vitais para o negócio e serão valorizadas em um mercado que tem um espaço enorme de crescimento mas elas são diferentes e isso precisa ser entendido.

Se você leu até aqui e se interessou em saber em mais detalhes como se previnir desse mal clique no botão abaixo.

TATAME & NEGÓCIOS

Um forte abraço

 

Fabio Gurgel

Você já pensou em ter uma academia de artes marciais?

Luís Amoroso e Fabio GurgelVocê já pensou em ter uma academia de Jiu jitsu?

E Karatê, Muay Thai ou Boxe?

 

Se você foi ou é um atleta de luta talvez essa possibilidade de ter uma academia de artes marciais já tenha passado pela sua cabeça.

Se você é professor é muito provável que você tenha pensado nisso ou que eventualmente até seja dono de uma.

Se você é apenas um praticante, mas que vive a arte marcial e seu estilo de vida intensamente também existe uma possibilidade razoável que você já tenha pensado em ter um negócio relacionado.

Se somarmos, os atletas com os professores e com os praticantes interessados chegaremos a um número razoavelmente grande de pessoas que pensaram ou pensam em ter uma academia de artes marciais.

Por que então não existem tantas academias assim? Por que ainda mais raras são as academias que tem sucesso?

Gosto sempre de fazer uma reflexão de quando vivia no Rio na década de 80, vocês sabiam que as melhores academias de ginástica do Rio se encontravam em salas de prédios comerciais? Com pouquíssima ou nenhuma estrutura? Era apenas uma sala com os colchonetes e caneleiras usadas pela mulherada, bastões de madeira, pesinhos de mão e outros poucos equipamentos.

Hoje quando olhamos o mercado do fitness podemos entender a importância de aprimorar as práticas e entregar um serviço melhor. Hoje as antigas academias de ginástica são as grandes redes de fitness com faturamento de centenas de milhões de reais.

Ok, então por que isso não acontece nas artes marciais? A pergunta deveria ser:  Por que não acontece ainda?

Acredito que vai acontecer quando os professores entenderem que são prestadores de serviço, quando as informações de como funciona o negócio estiverem claras para aquele que detém o capital (investidor) e quando os dois entenderem que são necessários um para o outro.

O jogo claro vai também evitar que exista um desgaste na relação entre professor e aluno (investidor) pois a falta de conhecimento pode gerar expectativas muito diferentes entre as partes.

O maior beneficiado será sempre o cliente que terá uma aula melhor em um local cada vez mais apropriado.

As artes marciais têm a possibilidade de multiplicar o número de praticantes em pouco tempo para isso basta que os profissionais se preparem melhor e que possam oferecer um produto atrativo para quem adoraria investir nesse segmento.

Foi pensando nisso que depois de criar o Viver de jiu jitsu, programa que ensina como se gerir uma academia de qualquer arte marcial, entrei hoje novamente em estúdio para gravar um novo programa.

Dessa vez o foco será em mostrar tanto para o professor ou atleta como fazer a transição para empreendedor, ensinando-o como avaliar um negócio já existente, como captar recursos? Como mostrar o valor do negócio a um possível investidor?

Começar um projeto do zero ou montar uma carteira de alunos primeiro?

E também olhar pelo lado do investidor, mostrando a ele o tamanho do investimento, o tempo do retorno do capital investido, pontos de fragilidade e como combate-los, qual modelo de sociedade deve ser montado com o professor entre outras coisas.

Estou muito animado!

Terei junto comigo nesse projeto ninguém menos que Luís Amoroso, um dos maiores especialistas do mercado de academia no Brasil.

Luís foi responsável pela mudança do meu negócio há 10 anos atrás e se tornou um grande amigo e parceiro desde então, estamos desenhando esse projeto há algum tempo e só pelo que produzimos no primeiro dia de filmagem tenho certeza que vocês vão ficar muito felizes com o resultado e que isso vai levar o negócio de artes marciais para outro patamar no Brasil.

 

Um abraço

Fabio Gurgel

 

 

What does it mean to be a real Jiu Jitsu teacher?

I remember it like it was today, the first time I started training Jiu Jitsu. I was 13 years old and a school friend took me to a small gym in Posto 6 in Copacabana.

The Academy was originally a Judo academy run by Professor Carlos de Tarso, and the Jiu Jitsu was taught by a student of Master Carlson Gracie, Toninho.

The gym was very small, I believe the mat was no more than 50m2.

We were pretty much the first Jiu Jitsu class there and it was less than a year before the gym closed.

One detail that I didn’t know until many years later was that Toninho had also been Jacaré’s first instructor at the Gracie Academy.  In the year that I trained there (I received my yellow and orange belt) I never had to wait for the teacher, I never saw him raising his voice to a student, I never saw him without a clean kimono. I never saw any kind of lack of respect or indifference to students, parents or visitors — it was an extremely pleasant environment to be in.

However, the gym closed and I was forced to relocate. Toninho went on to teach classes far away from my home and a friend who was already a Jiu Jitsu champion at the time suggested I train with Jacaré who had just opened his school in Ipanema. On the way back from the English school where I trained twice a week, I would stop at the gym which was on my way home.  Jacaré also taught in a Judo academy, but unlike Toninho’s, Jacaré’s school prospered allowing him to buy the academy and offer many classes. Jacaré Jiu Jitsu was founded in 1985. By this time, I was already 15 years old, and I had received my blue belt. I started helping Jacaré with classes: beginners, kids, and even advanced classes.

The standard of respect for the student remained the same, and it was the student who was the focus of attention, and that is why the gym worked so well. There were more and more competitions and I was introduced to a different profile of teacher that also got some prominence, although never achieved any real success. He was the “champion” teacher, more concerned with his ego than his service, more concerned with black belt status than the evolution of the students.  Teachers in essence need to work against vanity and the ego trip, they need to be there for others.

Once talking to friends about how young people should choose work, I heard a suggestion that I thought was very wise— people should choose as a line of work something that allows them to be of service to others, doing whatever they like in their leisure time.  It’s true that sometimes this is confused in Jiu Jitsu because people don’t understand that training Jiu Jitsu and teaching Jiu Jitsu are very different things.

The difficulty comes because the champion needs to be a little selfish and to put himself first when he is in search of excellence, the teacher needs to be 100% committed and concerned with the evolution of others, they are totally opposite mindsets. Today I have contact with hundreds of academy teachers and managers through “Live off Jiu Jitsu” and I believe this understanding is still the biggest barrier to their success, preventing them from having the openness to learn new things, and the humility to recognize that they are not superman always trying to show off — no one is.

Making your student the reason your school exists is the surest way to have a successful academy that is a benchmark for where you live — this has the power to transform so many lives for the better. This in my opinion of the true essence of a Jiu Jitsu teacher — doing things for one another.

The result is that your students will not only give back to you in abundance, but also to each other and this creates a chain that explains the wonderful feeling we get with our tatami friends when we are part of a real Jiu Jitsu academy.

Is that you? Do you give classes just for yourself, or for others?

Hugs

Fabio Gurgel

 

 

Como saber quem é um bom profissional de Jiu Jitsu?

Lembro como se fosse hoje o dia que comecei a treinar jiu jitsu, eu tinha 13 anos e fui levado por um amigo de escola a uma pequena academia no Posto 6 em Copacabana.

A Academia era originalmente uma academia de judô do professor Carlos de Tarso e quem dava aulas de Jiu jitsu era um aluno do mestre Carlson Gracie, o Toninho.

A academia era bem pequena acredito que o tatame não tivesse mais do que 50m2.

Éramos praticamente a primeira turma de jiu jitsu ali e durou menos de 1 ano até que academia encerrasse as atividades.

Um detalhe que só fui saber muitos anos depois foi que o meu professor tinha sido também o primeiro professor que o Jacaré teve na academia Gracie, isso mesmo o Toninho havia também iniciado o Jacaré no jiu jitsu.

Nesse quase 1 ano em que treinei lá (recebi faixa amarela e laranja) eu nunca tive que esperar o professor, nunca o vi levantando a voz para um aluno, nunca o vi sem que o kimono estivesse impecavelmente limpo, nunca vi nenhum tipo de falta de respeito ou indiferença para com os alunos, pais ou visitantes, era um ambiente extremamente agradável.

A academia acabou e eu fui forçado a mudar, o Toninho foi dar aulas muito longe da minha casa e um amigo já campeão de jiu jitsu na época me indicou o Jacaré que havia recém inaugurado sua escola em Ipanema.

Na volta do meu curso de inglês 2X por semana eu parava na academia que era no meio do caminho para minha casa.

Era também uma academia de judô onde o Jacaré tinha alguns horários.

Diferente da academia do Toninho a do Jacaré prosperou, ele pode comprar toda a academia e oferecer muito mais horários, estava fundada a Jacaré Jiu Jitsu em 1985.

Nessa época eu já estava com 15 anos e havia recebido minha faixa azul.

Comecei então a auxilia-lo nas aulas, iniciantes, crianças e até mesmo nas de avançado.

O padrão de respeito ao aluno continuava o mesmo, ele era o foco da atenção e era pra ele que a academia funcionava.

As competições começaram a aparecer com mais frequência e fui sendo apresentado a um diferente perfil de professor que de certa forma conseguiu também algum destaque, embora nunca tenha conquistado o real sucesso.

Era o professor “campeão”, mais preocupado com o seu ego do que com o serviço prestado, mais preocupado com o status de faixa preta do que com a evolução do aluno.

Professores em sua essência precisam trabalhar na contra mão da vaidade e da egotrip, precisamos estar ali para os outros.

Uma vez conversando com amigos sobre como o jovem deveria escolher o melhor trabalho ouvi uma sugestão que achei muito sábia, as pessoas deveriam escolher para trabalhar o que elas podem fazer de melhor para o outro, deixar o que você mais gosta de fazer para suas horas de lazer, é verdade que as vezes isso se confunde no jiu jitsu porque as pessoas não entendem que treinar jiu jitsu e ensinar jiu jitsu são coisas muito distintas.

A dificuldade se dá pois o campeão de certo modo precisa de uma dose de egoísmo e de se colocar em primeiro lugar quando esta na busca da excelência em performance, em contrário o professor precisa estar 100º solicito e preocupado com a evolução dos outros, tudo é jiu jitsu mas são mindsets totalmente opostos.

Hoje tenho contato com centenas de professores e gestores de academia através do VIVER DE JIU JITSU e acredito que esse entendimento ainda é a maior barreira para o sucesso deles, os impede de ter a abertura de aprender coisas novas e a humildade de reconhecer que ele não é o super homem que ele tentou se mostrar e que obviamente não precisa ser, ninguém é.

Fazer seu aluno ser a razão da existência da sua escola é o caminho mais certo para se ter uma academia de sucesso que seja referência onde você escolheu viver e que terá o poder de transformar tantas vidas para melhor.

Essa na minha opinião é a verdadeira essência de ser professor de Jiu jitsu. Fazer pelo outro e para o outro.

O Resultado disso é que seus alunos devolverão de forma multiplicada não só a você mas também entre eles e isso cria uma corrente que explica a maravilhosa sensação que sentimos por estar com nossos amigos de tatame quando fazemos parte de uma academia de jiu jitsu de verdade.

E você? Da aula pelos outros ou por você apenas?

 

Abraços

Fabio Gurgel