UMA BOA AULA DE JIU JITSU EM 5 PONTOS CRUCIAIS

Comecei no jiu jitsu aos 13 e já com 15 comecei a ajudar meu professor Romero “Jacaré” Cavalcanti nas aulas. Eu não podia ter tido uma escola melhor para me tornar um professor, ali aprendi os pontos cruciais em uma boa aula de jiu jitsu.

Jacaré é um craque e lado a lado com ele pude aprender como conduzir uma aula que fosse séria e ao mesmo tempo leve, que colocasse o aluno estimulado a se desafiar sem nunca faze-lo se sentir obrigado a tal e cuidar do ambiente para que todos que ali estivessem fossem beneficiados.

Nunca eleger alguém em detrimento de outro sempre contribuiu para que o clima em nossa academia fosse de muito respeito e amizade.

Embora eu tenha tido a oportunidade desse convívio e aprendizado dar aulas não é e nunca foi uma tarefa fácil.

Percebi isso mais claramente quando decidi escrever o Método de Ensino da Alliance.

Escrevi e reescrevi por várias vezes e até hoje após mais de 15 anos de metodologia sendo aplicada em nossa escola ainda fazemos ajustes.

Transcrever todos os aspectos de nossa escola para o papel foi um trabalho difícil mas talvez o mais importante para construir nosso time.

Nesse texto eu quero mostrar a vocês 5 pontos que acho cruciais para uma boa aula e espero que de alguma maneira isso possa ajudar você que já é professor e também você praticante a identificar uma boa aula de jiu jitsu.

1º PONTO – O COMPROMISSO

A aula começa antes dela de fato ter inicio, o professor precisa se preparar, primeiro para chegar antes da hora, atraso é uma falha inadmissível em minha opinião, nada mais é que uma falta de respeito ao tempo que o aluno esta dispondo para aprender com você.

Você chegar na hora e iniciar a aula na hora faz com que os alunos também o façam  e a organização facilite a vida de todos.

Kimono limpo e linguagem adequada são outros dois atributos essenciais na vida de um bom professor, evite falar gírias em excesso e esteja sempre impecável em sua higiene.

2º PONTO – A AULA

O inicio da aula vai variar de acordo com o nível da turma, por exemplo uma turma de iniciantes precisa do aquecimento em forma de educativos, onde o aluno pode aprender os fundamentos como rolamento, fuga de quadril, levantada técnica etc…

Já uma turma avançada pode iniciar o aquecimento em forma de drills técnicos que já aquecem e preparam o corpo para o treino.

O aquecimento convencional onde se faz uma ginástica e foi usado durante muitos anos nas academias de jiu jitsu perdeu no meu entendimento um pouco de sentido embora possa ser usado eventualmente como forma de se variar o tipo de aquecimento o que é muito importante.

 

 

3º PONTO – A TÉCNICA

A escolha da técnica a ser ensinada é de vital importância para o sucesso da aula e deve de preferência fazer parte de um programa, embora saibamos que isso não é o mais comum em nosso mercado, entendo que devemos mudar esse quadro.

Não ter um programa coloca o professor em uma armadilha muito comum, o de sempre ensinar o que ele tem facilidade de executar e não o que o aluno deve aprender.

A técnica deve ser escolhida sempre baseada no grau de compreensão da turma e nunca no que o professor gostaria de ensinar, é preciso que o aluno entenda do que o professor esta falando. Compreensão é a chave do envolvimento do aluno com o aprendizado.

Analisar a aula pela perspectiva do aluno é uma arte, rara de se ver e presente apenas em bons professores.

 

 

4º PONTO – A EXPLICAÇÃO

Após escolhida a sequencia técnica vem o momento de se fazer entender.

Uma explicação calma e confiante tende a ser melhor compreendida pelo aluno.

Não torne sua explicação muito longa e detalhada, isso é um erro muito comum em jovens professores, na tentativa de mostrar o quanto eles sabem exageram nos detalhes e tornam a explicação extremamente confusa, nesse caso menos é mais, identifique os pontos cruciais da técnica e foque neles. ( se você demorar mais de 3 minutos para explicar uma técnica seus alunos não compreenderão metade do que disse)

Cuidado com as analogias, explicar uma técnica usando exemplos que o aluno pode correlacionar pode ser interessante porém deve se ter muito cuidado pois um equivoco aqui e sua explicação ficará péssima.

5º – PONTO – O TREINO

Chegou a parte final da aula o famoso “rola”.

Existem muitos tipos de treinos a se fazer que podem variar de tempo de duração de intensidade,  de objetivo e etc..

Procure sempre variar os treinos, monte grupos, alterne o tempo, faça treinos de situações específicas, coloque treinos longos as vezes, enfim faça ser diferente e divertido.

Sempre que possível escolha os pares de forma aos alunos experimentarem treinos diferentes e evolutivos e ao mesmo tempo proteger para que todos tenham sempre uma boa experiência e evitem lesões .

Por fim dar aula é como aprender Jiu jitsu precisamos sempre estar em evolução, tecnicamente e também antenados ao que acontece a nossa volta em termos de didática e treinamento para evoluirmos e trazermos coisas novas e mais eficientes para nossos alunos.

Espero ter ajudado um pouco com essas dicas para que nosso jiu jitsu chegue com qualidade a cada vez mais praticantes.

forte abraço

Fabio Gurgel

 

 

 

 

 

 

A HORA DE PARAR OU MELHOR DE MUDAR.

É sempre um momento delicado e muitas vezes relutante na vida de um atleta como é também em outras áreas profissionais, mas no esporte por ser uma carreira muitas vezes curta se vive com esse fantasma da hora de parar por alguns anos antes que ela de fato aconteça.

No meu caso em particular eu tomei a decisão por dois motivos, o primeiro porque minha performance já não estava me satisfazendo, meu corpo começava a dar sinais de que não conseguiria acompanhar meus comandos, se é difícil conviver com isso nos dias de hoje imagine nos tempos de competição.

Porém o segundo e principal motivo é que eu começava a ter mais prazer em ver meus alunos ganharem do que minhas vitórias pessoais, a estrada de professor começava a ser um desafio para mim e algo que eu queria fazer bem e ser reconhecido uma vez que o Jiu Jitsu era o que eu tinha escolhido para viver.

Você pode estar se perguntando, mas porque esse papo agora depois de tantos anos? de fato eu parei de competir profissionalmente em 2001 mas o ponto não é esse, o ponto é que uma parada precisa ser precedida por um projeto novo um novo desafio.

E assim eu comecei a entender que não existe na verdade uma despedida e sim uma mudança de rumo, passei a me dedicar a minha nova missão de formar alunos da melhor maneira e com a mesma dedicação que sempre tive em minhas coisas.

Junto com esse momento de construir minha escola surgiu um desafio de construir novamente o melhor time de jiu jItsu do mundo, toda minha energia foi para montar, ensinar, cuidar, administrar, incentivar e treinar minha equipe, que se tornou um exército de campeões, durante um período de 10 anos trouxemos todos os títulos possíveis por equipe e nos tornamos a equipe mais vencedora da história do esporte, só de mundiais foram 9 títulos consecutivos (totalizando 11 no masculino e 9 no feminino). Nessa época eu dava mais de 10 aulas por dia entre particulares e coletivas e isso durou pelo menos 15 anos.

Mais uma vez senti que meu foco estava mudando, o professor e o General do exercito de competidores já começava a olhar o papel de administrador da academia como um grande desafio, pois embora eu sempre tivesse tido essa vontade não o havia feito com a energia e o conhecimento necessário, me dediquei e passei a faze-lo, precisei diminuir minhas aulas passar todos os meus alunos particulares para outros professores e me dedicar a administração a todos os aspectos dela de forma igual, depois de algum tempo consegui mais uma vitória minha academia atingiu a capacidade máxima ultrapassando os 500 alunos.

Consegui definir um modelo de sucesso para uma academia de Jiu jitsu e senti que era hora de compartilhar isso com a comunidade do Jiu Jitsu, montei um curso de gestão de academia para mostrar aos professores como era possível viver de Jiu Jitsu, ampliei e levei esse conteúdo para uma plataforma online a qual chamei VIVER DE JIU JITSU e que tem sido um sucesso atendendo centenas de profissionais.

Estou sempre trabalhando em diversas frentes porém é impossível fazer muitas coisas bem, por isso minha energia esta sempre em uma em particular enquanto as outras vão acompanhando e esperando sua hora, da mesma forma quando saio da liderança de um projeto me asseguro que achei alguém que possa continuar aquela missão com qualidade e com os mesmos princípios ( sem um time ninguém vai muito longe).

Desde 93 quando fundamos a Alliance venho trabalhando nela como equipe de competição, desenvolvendo nossa metodologia de ensino, cuidando da marca, expandindo a associação e ajudando como posso, dessa forma após 25 anos de vida chegamos a mais de 200 escolas em 21 países e mais de 25.000 alunos.

Tenho muito orgulho de onde chegamos porém esse nunca foi o trabalho onde minha principal energia esteve e acredito que isso nos deixa muito a quem de nosso potencial o que por sua vez se torna outro enorme desafio, sinto que esta chegando a hora de colocar minha energia para transformar nossa escola não só  na melhor mas na maior escola de Jiu Jitsu do mundo, fazer coisas que nunca foram feitas e elevar o Jiu Jitsu o mais alto que conseguirmos.

Se reinventar e não ter medo de “largar o osso”  talvez seja a razão do sucesso, conquistei as coisas com muita disciplina e dedicação mas também pela inquietude de fazer melhor e diferente.

Não existe parar existe mudar.

O competidor e o campeão que esta dentro de nós precisa desse estimulo para que a vida siga fazendo cada vez mais sentido.

FG